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Famílias são retiradas de área em Tejucupapo
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Casas, escolas e até uma igreja foram derrubadas durante a ação |
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Vinte famílias de agricultores perderam suas casas, ontem, durante uma ação de reintegração de posse determinada pela Justiça. O despejo aconteceu no acampamento Capa Cigana, uma área de 150 hectares no distrito de Tejucupapo, em Goiana. Casas de taipa já consolidadas, algumas construções em alvenaria e até uma igreja foram derrubadas por tratores, apoiados por um efetivo de 45 policiais militares.
O grupo é ligado Federação dos Trabalhadores em Agricultura no Estado de Pernambuco (Fetape) e invadiu a área em 1997. Desde então, as famílias conseguiram implantar uma lavoura, que produzia inhame, macaxeira, batata, milho, feijão, além de bananeiras, mamoeiros e outras árvores frutíferas. Segundo os agricultores, a propriedade nunca foi produtiva, e desde a invasão eles tentam negociar a compra da área, nos últimos meses contando com apoio do Governo do Estado.
A propriedade não pôde ser colocada em processo de desapropriação porque tinha área menor do que a estipulada como mínima pelo Incra. "Essas terrasestavam desocupadas há 40 anos e nunca plantaram aqui. Chegamos a oferecer R$ 160 mil pela área. O dinheiro a gente ia pegar emprestado ao Projeto Renascer para pagar em 10 anos, mas a proprietária não quis", disse o presidente da associação de agricultores, Wellington Lira Barbosa.
Mandado - Esta foi a segunda tentativa de despejo. "Sabíamos que havia um mandado de reintegração de posse já assinado, mas achavávamos que ele estava suspenso", disse Wellingon. Enquanto aguardavam a derrubada das casas, os trabalhadores recolhiam o que podiam. "Antes de vir para cá eu trabalhava na maré, mas aqui era melhor. Conseguia plantar o da família comer e ainda dava para vender alguma coisa", disse o agricultor José Batista do Espírito Santo, 60 anos.
A proprietária do terreno é a americana radicada em Pernambuco Anna Eloise Russel. Segundo seu advogado, Madson Frazão, ela entrou com pedido de reintegração de posse 13 dias após a invasão, e desde então o processo se arrasta no Judiciário. "Uma primeira liminar foi negada logo no início do processo. Recorremos, e agora o Tribunal de Justiça acatou o pedido". O advogado negou que as terras eram improdutivas, e afirmou que havia plantações de cana-de-açúcar até a época da invasão.
Com apoio da Prefeitura de Goiana, as famílias foram alojadas em um terreno no distrito de Tejucupapo. Como a desocupação foi pacífica, eles conseguiram levar móveis, eletrodomésticos e até telhas das casas. "Estamos vendo com o Governo do Estado uma área para onde eles possam ir", comentou o secretário de Ação Social, José Alfredo Júnior.
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