Enfim, chegou um dos jogos mais esperados do ano - para muitos fãs, o mais esperado dos últimos dez anos. Aos nostálgicos, que jogaram o primeiro título da série em 1993, fica o aviso: Doom III talvez não mereça a honraria de raspar suas economias bancárias para fazer o tão esperado upgrade no computador. Os requisitos mínimos de sistema não são brincadeira. Em resumo: processador de 1.5 GHz, memória RAM a partir de 384 Mb e placa de vídeo com 64 Mb. Lembrando que tudo isso são os requisitos mínimos para conseguir sequer ver o jogo. Não ouse jogar com menos de 512 de RAM, pois nem vale a pena. Em relação ao processador, o jogo não roda em Pentium III. Só a partir de Pentium IV ou Athlon, da AMD.
Apesar de muito bom, Doom III pode se mostrar frustrante para os fãs. É que tudo está mudado, desde a jogabilidade até o desenrolar da história. É outro jogo, reformulado, e não uma continuação. O Chief Executive Officer da ID Software, Todd Hollenshead, classifica Doom III como uma "experiência cinematográfica". Não é preciso ir longe para achar o mesmo. Basta prestar atenção nas fotos disponíveis no site oficial (www.doom3.com) ou assistir ao trailer.
Doom deixou de ser um jogo de tiro com monstros e alienígenas. Transformou-se em um jogo de terror, parecido com Alien vs. Predator (2001) - só que muito melhor e mais sofisticado. Nos Estados Unidos, está classificado como M (Mature), isto é, para adultos, por causa da violência, do sangue e do enredo. No entanto, a classificação é exagerada. Não espere ver sangue jorrando na tela e cabeças decepadas a esmo. Tem jogo bem mais violento no mercado.
Para os fãs, vale a pena usar um equipamento de som com qualidade. Os efeitos sonoros são um capítulo à parte, destaque para a saída em 5.1 canais. Sobre o visual, foram quatro anos de desenvolvimento bem aplicados, usando uma nova arquitetura gráfica (oriunda de Quake 3) criada pelo co-fundador da Id Software e programador-chefe, John Carmack. O preço a se pagar para ver tudo isso é caro, pois sua placa de vídeo precisa ser boa e rápida.
Outro ponto negativo aos nostálgicos é a jogabilidade mais lenta. No começo, é fácil perceber que aquele ritmo alucinante de Doom I e II se perdeu. De acordo com Carmack, o freio na jogabilidade foi proposital. Na visão dos programadores, é necessário diminuir o ritmo para que o usuário sinta o novo ambiente de Doom, claustrofóbico e aterrorizante.
De fato, há diversas passagens e cenários onde você irá se sentir assistindo a um filme de terror por causa do susto - mas passa logo e é só apertar o dedo no gatilho sem parar. E, mesmo assim, só tem graça se estiver jogando à noite em quarto fechado, para entrar no clima. E talvez seja justamente essa a maior decepção de Doom III quando comparado aos antecessores. Antes, todo mundo matava expediente no trabalho para fazer campeonato de Doom. Agora, a idéia do jogo parece não ser mais entreter, mas apenas assustar. Jogar durante o dia não tem graça.
A primeira missão começa quando você volta a sua base, em Marte, e encontra seus companheirosmarines transformados em zumbis ou mortos. O jogo começa mais como uma sobrevivência, com mensagens recebidas pelo rádio do seu comandante. O enredo não tem novidade alguma, mas o que importa? É um jogo de tiro. Quem não souber inglês, pode se enrolar bastante também. Há diversas locações onde é preciso escutar áudio logs (conversas gravadas de outros personagens) para descobrir senhas e acontecimentos. Não chega a ser essencial para completar o jogo, mas faz parte do enredo e ajuda um pouco a sobreviver.
www.rebelo.org
|