Domínio de outros idiomas, conhecimento de culturas diferentes e experiências profissionais em mercados de economia estável são informações que farão qualquer currículo valer peso de ouro. As referências valem, principalmente, para quem pretende ingressar em multinacionais com sede no País ou em empresas que querem incrementar suas relações internacionais. Por isso, os gurus em recursos humanos alertam: já são freqüentes os exemplos de empresas que apostam em estudantes e profissionais que tiveram algum tipo de vivência no Exterior para fazer parte do quadro funcional.
À frente da consultoria Fator Humano, a psicóloga Ana Tereza de Almeida, diz que o mercado profissional deslanchou para quem passou um, dois, três meses ou até um ano estudando ou estagiando em outro país. "Por entrar em contato com diversidades culturais e manter uma interação com pessoas das mais diferentes procedências, esses perfis têm mais a oferecer ao empregador", analisa Almeida.
Não há como negar que fazer um curso de verão em Londres, participar de um programa de estágio em Paris ou até ir a turismo a Tóquio contribui tanto na formação pessoal quanto profissional. "Quem já teve essa vivência um dia obteve, sem dúvida, uma visão sistêmica de assuntos ligados à economia, política e sociologia", pondera. Na mochila, ainda vem uma boa dose de aprendizado de novas ferramentas de trabalho, maior independência pessoal e aptidão para enfrentar desafios.
Ricardo Costa, diretor regional da Brazilian Exchange (BEX) - empresa especializada em promover intercâmbio com outros países, conta que apenas a unidade do Recife é responsável pela inserção de mais de 80 jovens por ano, em várias nações. O principal destino ainda é os Estados Unidos. "Os jovens perceberam que o mercado tem valorizado esses profissionais, tornando a vivência em fator de diferenciação para quem almeja postos no alto escalão de qualquer companhia", analisa.
Investimento - Ter acesso a tantos benefícios vai exigir, no mínimo, um bom investimento financeiro. Pacotes para quemquer cursar um semestre em uma high school americana custam entre US$ 3 mil e US$ 4 mil (entre R$ 9 mil e R$ 12 mil), com acomodação em casa de família. Já para os jovens interessados em obter aprimoramento profissional o desembolso será de US$ 1 mil (cerca de R$ 3 mil), mais passagem aérea e custo com parte aérea. Neste caso, haverá compensação financeira de acordo com as horas trabalhadas.
Outro aprendizado obtido por quem estuda em universidades ou em cursos de especialização no Exterior é aprender a ter controle financeiro. "Longe de casa, os recursos sempre se tornam parcos, por isso é regra fundamental saber utilizar, racionalmente, o dinheiro", conta a analista de Inteligência da Informação, Juliana Petribu, de 22 anos. Formada em Administração de Empresas, ela conta que ter feito intercâmbio cultural foi imprescindível para exercer a atual função em uma das maiores empresas de telefonia móvel do País.
"A experiência também me ajudou a romper a visão regional que eu tinha sobre o mercado, para enxergar a cadeia mundial e seus reflexos no País". A analista ainda conta que aprendeu a lidar com diferenças, ter senso de decisão e raciocínio ágil, assim como possuir habilidades para enfrentar desafios. Inconscientemente, diz Ricardo Costa, esses jovens desenvolvem competências que são de extrema valia e cada vez mais em voga em um cenário competitivo e globalizado.
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