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Edição de Quarta-Feira, 4 de Agosto de 2004 
Viver | Vídeo refaz trajetória dos negros
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VIVER
Vídeo refaz trajetória dos negros
DOCUMENTÁRIO
Mariana Fontes
Especial para o DIARIO
Promover um debate acerca de questões ligadas ao universo do negro brasileiro é a proposta do documentário A Presença da Etnia Negra em Pernambuco - Força de Trabalho, Contribuição Cultural e Condição Social, de Carlos Carvalho. O vídeo, que está em fase de gravação, é uma parceria entre a C2 Comunicação e a Realiza Comunicação. O filme será permeado por depoimentos de historiadores, pesquisadores e outras pessoas envolvidas na causa étnica brasileira. "Não quero tomar partido, a intenção é que as múltiplas formas de pensar se confrontem", conta o diretor e roteirista da produção.

  De acordo com Carlos, a idéia de produzir o vídeo surgiu ainda no início do ano passado. "A Realiza já tinha feito alguns documentários sobre quilombos e aquilo chamou minha atenção", conta. Em 53 minutos de filme, ele pretende contar a trajetória dos negros do estado, a partir de três vertentes. "Gostaria de dividir o documentário, caso consiga uma verba", explica Carlos.

  A princípio, entretanto, a produção será dividida emblocos que abordam aspectos importantes da história do negro em Pernambuco, desde sua chegada. A primeira parte do documentário, trata de questões históricas ligadas à exploração da mão-de-obra escrava. No segundo bloco do filme, o diretor e roteirista pretende lidar com temas ligados à contribuição dos costumes africanos para a criação da identidade cultural do estado. A última parte do filme é dedicada ao avanço da condição social do afro-brasileiro. "Mostro que o acesso à economia e a educação para os negros avançou muito pouco", afirma Carlos.

  Depois de trabalhar quase um ano no roteiro do documentário, o diretor está com mais de 10 horas de imagens gravadas. "Escrevi o roteiro, mas deixei espaços abertos para o que pode surgir a partir dos depoimentos", conta. Para Carlos, a importância de projetos como este se deve ao fato deles serem responsáveis por levantar debates e suscitar a reflexão. "Queremos problematizar e confrontar situações, pensando o passado e o presente", explica o diretor e complementa: "Contar a história do negro é contar a história do Brasil". Além de levantar fatos históricos, Carlos ressalta que há uma preocupação em abordar temas polêmicos e contemporâneos. "Um dos pontos de conflito presente no documentário é a cota para negros nas universidades", adianta.

 
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