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Edição de Quarta-Feira, 4 de Agosto de 2004 
Informática | Especialistas dão dicas de orkutiqueta
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Informática
Especialistas dão dicas de orkutiqueta
SÃO PAULO - Eis que em sua página no Orkut você recebe um convite para se tornar amigo de uma pessoa que nem é assim tão chegada. É o caso de recusar? Como fazê-lo? E quando ocorre o inverso - alguém bate na sua cara a porta do seu círculo de amizades virtual? Especialistas em regras de convivência deram dicas de orkutiqueta, explicando como se livrar dessas saias justas.

  O Orkut (www.orkut.com) está transformando os relacionamentos, assim como o e-mail e as salas de bate-papo resgataram o hábito da escrita e criaram novos códigos, mas ainda valem algumas regrinhas básicas do mundo real. De acordo com a especialista em etiqueta Cláudia Matarazzo, 45, o nível de relacionamento para aceitar ser amigo orkutiano começa ao se definir que, caso aquela pessoa partilhe de sua amizade, você não vai se sentir invadido.

  "Ela não precisa ser necessariamente íntima, mas alguém que, por exemplo, se precisasse passar uma tarde ou uma noite em sua casa, não o faria se sentir desconfortável", afirma a autora, entre outros, do livro net.com.classe. Segundo ela, é preciso ter a impressão de que a convivência pode ser boa.

  Supondo que ocorra um encontro com o rejeitado em algum lugar e que, em tom irônico, ele tente tirar satisfações por tê-lo eliminado da lista, sempre é possível, segundo Matarazzo, usar como desculpa que o grupo ao qual você pertence não corresponde ao que ele iria curtir. "Claro que não vai colar, mas quem mandou a pessoa cobrar? Ela deveria se mancar e não cobrar nada."

  Nem tudo, porém, precisa ser adaptado do mundo real. "Essa é a vantagem da internet. A vida virtual deveria ter a vantagem de nos proporcionar uma escolha mais livre e descompromissada das relações e das formalidades", opina Gloria Kalil, 58, consultora de moda e autora do livro Chic. Aconselha: "Relacione-se só com quem você quiser".

  Para ela, no entanto, o Orkut é uma boa oportunidade de se livrar de preconceitos em relação a algumas pessoas - já que há campos para indicar preferência por músicas, livros, filmes e culinária, por exemplo. "É uma oportunidade de conhecer melhor esses conhecidos."

  

Sim ou não - Outra peculiaridade é que, no Orkut, a amizade não acontece naturalmente, aos poucos. Depende de um derradeiro clique de aprovação - diferentemente do que ocorre na vida real. "Acho que não dá para dizer não a um pedido de amizade. Sugiro que aceite o amigo e, depois, se quiser, sempre há a opção de não alimentar a amizade. Isso acontece na vida real", diz Célia Ribeiro, 75, escritora gaúcha, também especialista em etiqueta.

  A possibilidade de encontrar características em comum ajuda na aproximação. "Procuro gente com afinidades, que goste de jipes e off-road e que seja da mesma faixa etária", diz o comerciante Fernando Krieger, 32. Ele diz nunca ter sido rejeitado. "Mas, se isso acontecesse, eu entenderia perfeitamente, pois o Orkut nos dá esse direito. É preciso aprender a lidar com frustrações. Além disso, nossas informações pessoais e até a lista de amigos acabam sendo uma espécie de cartão de visitas."

  "Orkut é coisa para gente quase grande, que sabe dizer não. Se você não consegue, talvez seja melhor ficar fora dessa para não se enrolar", sentencia Cláudia Matarazzo. "A verdade é que a gente age na vida virtual do mesmo modo que na real. Não conseguimos dizer não e depois ficamos atormentados, sem saber o que fazer", rebate Gloria Kalil.

  Ela sugere a quem gasta muito tempo navegando pelo Orkut repleto de amigos com os quais quase não interage no dia-a-dia: "Escreva um lindo textinho explicando que vai se despedir deles, pois não consegue tempo para se comunicar com todos. Desculpas, beijinhos e bye-bye".
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