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BC admite elevar os juros
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BRASÍLIA - Com a piora das previsões de inflação para 2004 e 2005, os diretores do Banco Central (BC) praticamente enterraram a possibilidade de redução da taxa de juros até o fim do ano. A avaliação do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC é de que a manutenção da Selic nos atuais 16% ao ano, por um "período prolongado de tempo" permitirá a volta da inflação a níveis mais baixos. Na ata da última reunião do Comitê, divulgada ontem, os diretores admitem até a possibilidade de uma elevação dos juros, caso a inflação não dê sinais de melhora diante do cenário de recuperação da economia.
Pela primeira vez no ano, o BC reconheceu que a projeção de inflação para 2005 já está acima da meta de 4,5% fixada pelo Governo e que o ritmo acelerado de retomada do nível de atividade é um fator de risco para o controle dos preços que já foi detectado.
Além do temor de descontrole dos preços num ambiente de maior crescimento, o Copom justifica que a piora nas estimativas de inflação foi reforçada pelo reajuste das tarifas de telefonia fixa, pela maior inflação verificada em junho e pela deterioração das expectativas de mercado.
Numa das atas mais incisivas dos últimos tempos, o Copom avisa que estará pronto para uma atitude "ativa", caso venha a se consolidar um cenário de "divergência entre a inflação projetada e a trajetória das metas". Para os analistas, isso foi um sinal claro de que, se a inflação apresentar qualquer piora ao longo dos próximos meses, o comitê não hesitará em elevar os juros.
O cenário externo, que vinha sendo uma das principais fontes de preocupação está aparentemente tranquilo, na avaliação dos diretores do BC. Mas, internamente, as estimativas feitas anteriormente pelo Copom para o reajuste dos preços de bens e serviços com peso significativo tiveram de ser revistas. É o caso das tarifas de telefonia fixa. Em junho, a aposta do BC era a de um reajuste de 6,1% este ano. Agora, a projeção é de uma alta de 12,8%. Para a energia elétrica, o BC elevou sua estimativa de 11% para 11,6%: a projeçãode alta dos preços administrados por contratos em 2004 saltou de 7,7% para 8,3%.
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