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Edição de Quinta-Feira, 29 de Julho de 2004 
Viver | Caetano cria polêmica até em Inglês
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VIVER
Caetano cria polêmica até em Inglês
Músico faz show único no Recife, sábado no Classic Hall, para divulgar as canções do CD A Foreign Sound
Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO
A Foreign Sound, o novo disco de Caetano Veloso, confirma a postura que o nobre compositor da MPB sempre adotou ao longo de sua vida. Como nenhum outro artista brasileiro, Caetano sempre soube provocar com maestria e elegância. No final dos anos 60, lá estava ele sendo alvo de protestos por ter assimilado sonoridades estrangeiras. Ninguém entendia nada, diziam, como cantava Carmem Miranda, que voltara americanizado. Agora, pode ser que as pessoas continuem sem entender. O CD lançado no Brasil e Exterior pela gravadora Universal, parte de uma idéia da época do exílio. A princípio, seriam somente standards do século 20. A partir dos anos 80, quis incluir histórias do pós-rock'n'roll. Justamente para não ser tão óbvio e comercial, apesar do interesse claro das gravadoras em produzir um Caetano mais famoso e consumido pelos norte-americanos.

  Caetano poderia ter provocado ainda mais, caso levasse adiante a idéia de fazer um disco só com canções inglesas, antigas e modernas. "Isso seria tocante e iria mexer comos ingleses. Mas eu não vivo de jogadas", diz ele, que entendeu a repercussão mais vacilante da crítica americana e inglesa com relação a Foreign Sound. É um disco para alienígenas, definiria ele depois. Do tipo que não convence nem aos estrangeiros - que sabe que Caetano não é um deles - nem mesmo aos brasileiros, que desconhecem a língua. O músico, no entanto, está feliz com o novo trabalho, que está em turnê pelas cidades e chega ao Recife no próximo sábado, num show único no Classic Hall.

  Para Caetano Veloso - que concedeu entrevista ao DIARIO por telefone (confira trechos na página 2 e, na íntegra, no site www.pernambuco.com) o processo de seleção das canções foi trabalhoso demais para um homem com sua idade, pelo simples motivo de ter sido exaustivo ter que aprender a letra de muitas das canções. No entanto, algumas tinham que entrar. Como Feelings, que era das mais engraçadas de cantar, na sua opinião. "Feelings é a canção brasileira que tornou-se um grande sucesso americano e todos os americanos egente do mundo inteiro pensa que é uma canção americana. É uma coisa que vai mais fundo na experiência do subdesenvolvido", considera.

  As escolhas das demais faixas do CD seguiram um pouco a lógica de trazer para a atualidade canções que foram fenômeno de mídia, mas que por isso mesmo foram rejeitadas por americanos da sua geração, que eram mais do rock'n'roll, assim como ele também foi. Caetano diz não ser um consumidor da música americana, ouve o que lhe chega aos ouvidos, pelas rádios e através de amigos. E segue defendendo fenômenos culturais como o funk, pagode, axé e música sertaneja que hoje monopolizam o espaço da mídia, sobretudo, televisiva.

  Caetano discorda e, no caso do axé, diz que o movimento cresceu apesar de toda resistência da imprensa, por causa do povo. O funk também nunca teve apoio de mídia nenhuma. "Para aquelas meninas aparecerem no Faustão precisou de mim", diz ele, que acha linda "aquela música do Tapinha Não Dói". Para o compositor, a história do funk no Rio é uma história de liberdade, de criatividade cultural, gente do povo, independentemente do interesse das gravadoras. "É mais autêntico do que um grupo folclórico do movimento armorial, ou do Recôncavo da Bahia, apoiado pela chapa branca do governo de não sei o quê, de esquerda. Muito mais independente do que essas coisas. Acho tudo isso muito demagógico", diz.

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