|
|
|
Projeto Seis e Meia na base do humor ferino
|
Música |
Augusto Pinheiro Da equipe do DIARIO |
 |
A irreverência vai tomar conta hoje do palco do Teatro do Parque, no Projeto Seis e Meia, com as apresentações do cantor e compositor carioca Eduardo Dussek e da banda pernambucana Textículos de Mary, que toca em clima de despedida, já que, segundo o vocalista Fábio Mafra, este será o último show do grupo.
Sentado em seu piano de cauda, no melhor estilo cabaré, Eduardo Dussek faz uma revisão de sucessos de sua carreira, além de entoar canções inéditas, em cerca de uma hora e vinte minutos de espetáculo. Entre as músicas, o cantor encarna um personagem pretensioso e ferino, que faz comentários sobre a realidade brasileira. "É um alter-ego muito engraçado, um desdobramento da minha personalidade. Não é um show político. É para dar gargalhada e desopilar", explica Dussek, por telefone, de Curitiba (PR). Os textos foram criados pelo próprio cantor.
Na parte musical, o público poderá curtir os hits Rock da Cachorra, Cantando no Banheiro e Barrados no Baile, da safra anos 80, além de Alô, Alô Brasil (tema danovela As Filhas da Mãe). Entre as inéditas, Dussek dispara Pilosofia Portugueza, um fado com pílulas da "sabedoria" lusitana ("até os portugueses adoram"), e A Vingança É um Caminhão sem Freio Que Vem na Contramão, um "iê-iê-iê brega" que roga diversas pragas. Entre os covers, sempre presentes em suas apresentações, estão Caso Sério (Rita Lee) e, provavelmente, o Hino de Pernambuco, que o deixa emocionado. "O show tem aquele espírito dos amigos que se reúnem para falar bobagem".
Já o Textículos de Mary, banda que retrata o submundo gay, com os integrantes vestidos de mulher, faz seu derradeiro show. "Não temos espaço para tocar no Recife, existe uma censura não-oficial, então o ócio acabou nos estressando. Podemos até lançar o segundo CD, mas não tocaremos mais ao vivo", dispara Fábio Mafra, 31, um dos três vocalistas, codinome Chupeta.
O repertório do CD-não-lançado, já batizado de Bissexuástica, é a base do show. Chupeta diz que saem as "piadas escrotas, nojentas e escatológicas, mas que fazem rir" e entra um discurso que mostra "o dominado (gay) assumindo elementos do dominador (sociedade machista e sexista) e tornando-se pior que ele".
Entre as músicas, puro rock inspirado nos anos 70, estão Apressado Come Cru, Monstro-Gay (sobre a fauna noturna), PF (sobre o alemão Armin Meiwes, que comeu o pênis de um homem que conheceu pela internet) e Priquita's Song.
Serviço
Projeto Seis e Meia
Eduardo Dussek e Textículos de Mary
Quando: hoje, às 18h30
Quanto: R$ 12,00 e R$ 6,00 (meia entrada)
Onde: Teatro do Parque (rua do Hospício, 81, Boa Vista, tel. 3423-6044)
|
 |
|
|