O Festival de Inverno de Garanhuns é cada vez mais uma festa para toda a família. Apesar dos palcos segmentados, de música pop, instrumental, popular e consagrada da MPB, o FIG é um evento que começou a atrair grupos cada vez maiores, que além da programação cultural vêm para curtir o clima da cidade, seus parques e sua gastronomia. Um problema detectado ano passado, este ano ficou ainda mais evidente: o festival cresceu, mas a estrutura da cidade continua a mesma. Garanhuns não tem leitos que comporte nem mesmo todos os convidados do festival: artistas, imprensa e organização. A cidade parece viver em torno de seu único grande evento. Passa o ano esperando por ele e, apesar da boa vontade de todos os moradores em receber bem o turista, falta ainda investimento para que nos outros meses do ano seja autosuficiente e não fique tanto na dependência do Governo estadual.
A organização do FIG está sempre fazendo mudanças estruturais para melhor conciliar suas atrações e melhorar o nível das mesmas. A criatividade não parece ser a mais utilizada neste ponto, quer dizer, o festival ainda não é um evento que traz atrações diferentes, que investe em números ainda não vistos pelo povo da cidade grande. Muitos vão a Garanhuns pela fama que o festival atraiu ao longo dos seus quatorze anos. Poucas são as atrações que, por si mesmas, são capazes de atrair público das cidades apenas para vê-las. Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede parecem ter surtido este efeito. Talvez Alcione, Simone, Otto e Lulu Santos, também.
No entanto, como também acontece em outros festivais de música pela cidade, falta investimento para atrações que venham com novas propostas. Não exatamente músicos que estejam na crista da onda, ou que tenham o poder de arrastar multidões, mas aqueles que mesmo fora da mídia tenham um trabalho novo, original, que valha a pena ser visto. Os organizadores usam o argumento, totalmente aceitável, do orçamento apertado para justificar a não vinda de artistas dessa categoria. Falta de dinheiro, porém, não é desculpa para falta de criatividade. E Garanhuns, mesmo sendo ainda a cidade mais agradável do inverno pernambucano, não pode reduzir seu festival a um evento para multidões.
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