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Procurar emprego requer ética
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Busca por outro trabalho usando infra-estrutura da empresa abre discussão no mercado |
Cleiton Fernandes DA EQUIPE DO DIARIO |
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Procurar outro trabalho emquanto está empregado é mais comum do que muita gente pensa. Insatisfação, má remuneração ou atribuições pouco atraentes são fatores que afetam a motivação do funcionário, aguçando seu faro para outras oportunidades no mercado de trabalho. Mas conciliar a caça à nova posição ao cumprimento das tarefas atuais, no entanto, é um desafio que requer atenção, segundo os especialistas. O processo envolve questões éticas e tende a gerar muitas dúvidas.
A psicóloga Ana Tereza Almeida, à frente da consultoria Fator Humano, alerta que o cenário de insatisfação é culpa da própria empresa. "Estamos numa época em que o funcionário é cada dia mais exigido e absorvido pelo trabalho. Mas, em geral, as empresas não dão o retorno à altura. Com salário e política de motivação e valorização adequadas", dispara.
Diante dessa realidade, um dos dilemas mais frequentes é o de usar ou não a infra-estrutura do emprego atual como ferramenta de busca do novo emprego. Isso porque, para quem está insatisfeito, Internet e telefone ao alcance da mão se transformam em canais de contato para o novo emprego. "É bom ter em mente que o ideal é que o trabalho atual não é o local para fazer a busca. Usar o fone da empresa para esses fins não é ético e há sempre o risco de haver alguém monitorando os acessos à rede", diz Almeida.
Para ela, assumir o mínimo de riscos em relação ao empregador é a postura mais sábia para atravessar o momento. "Apesar da decisão de procurar outra posição, a meta deve ser conseguir ficar bem ali até essa oportunidades ser concretizada". De fato. Mudar de emprego pode ser uma estratégia de crescimento, principalmente, para quem se sente estagnado e tem convicção de que está sendo subaproveitado na função. Mas é bom não enfrentar riscos.
PERFORMANCE - Um estudo realizado pelo Grupo Catho com 41.395 executivos, entre os meses de novembro de 2002 e janeiro de 2003, apontou que 70% dos profissionais que mudaram de trabalho conseguiram salário maior no novo posto. A boa performance na troca tem fundamento. Dez entre dez gurus da área de recursos humanos dizem que o profissional é mais valorizado no mercado quando ainda está empregado. "Normalmente, os recrutadores olham como se fosse um trabalhador qualificado que está querendo uma oportunidade de crescimento profissional", diz.
Mas também há casos dos funcionários serem assediados no local de trabalho. Foi o que aconteceu com Ana Catarina Vieira, diretora de marketing de uma multinacional. "Estava trabalhando quando recebi um convite para atuar em outra empresa. O salário era maior e a empresa tinha mais projeção", lembra. A primeira atitude de Vieira foi contar à chefia. Ela diz que instaurou-se um "clima de compreensão" e a troca ocorreu tranquilamente, sem desgastes. Tanto é que três anos depois, quando pediu demissão do emprego, foi logo convidada a trabalhar novamente na antiga empresa. "Voltei mais valorizada ainda", comemora.
"Manter a classe" nos últimos dias de trabalho é a última obrigação de quem consegue uma nova vaga no mercado. Para fechar o ciclo na empresa com chave de ouro, vale se esmerar na conclusão das tarefas e até se oferecer para ajudar a treinar a pessoa que irá substituí-lo. Embora pareçam óbvias, as recomendações muitas vezes passam longe da percepção de quem atravessa esse tipo de transição. Vale ter em mente que pôr a perder, já nos últimos momentos, as boas relações profissionais do antigo emprego pode gerar problemas futuros porque "queima" suas referências profissionais.
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