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Edição de Terça-Feira, 20 de Julho de 2004 
Política | Humberto questiona gestão da Saúde
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POLÍTICA
Humberto questiona gestão da Saúde
Ministro leva crise do setor para debate eleitoral
A crise dos hospitais públicos do Estado entrou na pauta das eleições municipais e teve o ministro da Saúde, Humberto Costa, como principal porta-voz. Ontem, em entrevista na Rádio Jornal, o ministro passou cerca de uma hora criticando a política de Saúde do Governo Jarbas Vasconcelos, comandada pelo secretário Guilherme Robalinho, um de seus aliados históricos. Humberto abandonou de vez o tom conciliador que adotou no ano passado e responsabilizou Robalinho pelo fato de o Estado ser um dos únicos no País a não ter aderido à Gestão Plena, por conta de, segundo ele, "politicagem". O ministro acusou o secretário de intransigência e de causar sofrimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) por "radicalização".

  De acordo com Humberto, o Estado ainda não se habilitou à Gestão Plena - sistema que prevê a livre administração dos recursos enviados à saúde pelo Estado - por "brincadeira de empurra". "O povo está sofrendo, porque o que está acontecendo hoje é uma politicagem das autoridades de Saúde do Estado. Nós, do Ministério, não queremos fazer politicagem com a saúde da população. Eu estou pensando principalmente num povo sofrido, que vai ao Hospital Oswaldo Cruz e não tem atendimento, medicamento", disparou.

  Humberto disse ter consideração por Jarbas, mas terminou provocando o peemedebista ao afirmar que ele estava "mal" informado sobre a situação da Saúde em Pernambuco. "Eu vou conversar com o governador porque eu tenho certeza absoluta que ele não sabe que poderia ter, no próximo ano, um aporte de recursos maior e resolver tudo de uma vez", frisou.

  O ministro declarou que Robalinho não enfrenta a Secretaria estadual da Fazenda e quer responsabilizá-lo pela crise nos hospitais de Pernambuco. "Não vou aceitar que joguem sobre mim a responsabilidade sobre a crise da Saúde em Pernambuco", ressaltou, acrescentando que recursos destinados a medicamentos estavam sendo usados no pagamento de contratações temporárias.

  Robalinho, por sua vez, disse "estranhar" as declarações do ministro "num momento de plenanegociação". Embora Humberto tenha afirmado que a proposta de repasse para o Estado eram de R$ 6,4 milhões por mês, o secretário garantiu ser de R$ 1 milhão. "Como é que a gente vai negociar um teto que vai prejudicar Pernambuco? Não estou afim de discutir números. Não é verdade que o governador não está a par das negociações. Ele está a par de tudo. Nós estamos juntos. Estivemos no Ministério, mostramos os nossos números e eles não foram questionados. Agora, o Ministério pode assumir que não tem dinheiro para repassar", retrucou.

  O secretário afirmou "lamentar" a politização da Gestão Plena e garantiu que, se o Estado tivesse se "curvado" à proposta do MS, estaria "em falência financeira". Ainda segundo ele, a demora no fechamento do acordo também foi culpa das crises do MS. "Houve dificuldades no Ministério, que passou um período conturbado", alfinetou, referindo-se à Operação Vampiro. "Lamento que ele tenha adotado esse discurso, mas o que estou dizendo é verdade".

Comentários dos Leitores
"O futuro ex-ministro Humberto Costa mostra que, seguindo orientação da direção do PT (partido dos Traidores), já entrou na campanha do futuro ex-prefeito João Paulo.", Marcos Romero, por e-mail
"O Ministro tem toda razão, o Governo do Estado tem deixado a saúde um caos, espero que eles contornem essa situação, tem muita gente sofrendo com isso...", Anita, por e-mail

 
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