Últimas Diversão Comunidade Tecnologia Esportes Turismo Quem Somos
Diario de Pernambuco TVGuararapes Radio Caetés Rádio Clube
Edição de Terça-Feira, 20 de Julho de 2004 
Especial | A pomposa festa do centenário
   DIARIO
   Índice Geral
   Expediente
   Ed. Anteriores
   Assinaturas
   História
   CADERNOS
   Política
   Brasil
   Mundo
   Economia
   Esportes
   Vida Urbana
   Viver
   SUPLEMENTOS
   Revista da TV
   Empregos
   Viver Mulher
   Viagem
   Informática
   Carro
   Imóveis
   Saúde

    SERVIÇOS

   Loterias

Especial DIARIO de Casa Nova
A pomposa festa do centenário
COMEMORAÇÕES PARA MARCA INÉDITA MOBILIZARAM A SOCIEDADE PERNAMBUCANA E REPERCUTIRAM ATÉ NO EXTERIOR
 
As comemorações do centenário do DIARIO DE PERNAMBUCO, primeiro periódico da América Latina a atingir tal marca, mobilizaram de forma intensa a sociedade pernambucana e repercutiram em todo o Brasil e até no Exterior. A edição do dia do aniversário, 7 de novembro de 1925, tinha nada menos que 60 páginas, um recorde para os jornais da época. O jornal publicou diversas mensagens de felicitações de autoridades nacionais e estrangeiras, com destaque para Artur Bernardes, então presidente do Brasil. Outros remetentes foram governadores de Estado, ministros, jornais do Brasil e do Exterior e cônsules.

  A capa traz uma ilustração de Manuel Bandeira, artista gráfico homônimo do poeta. Uma página mostra várias capas do jornal sob o título Diario Através do Século. Outra presta uma homenagem às "nações amigas oficialmente representadas entre nós", por meio dos cônsules de países como China, Dinamarca, Grécia e Portugal. Há textos sobre a genealogia pernambucana (com a origem dos sobrenomes das famílias locais), a mulher pernambucana, a história e a economia do Estado e os judeus na América, entre outros.

  Na quarta-feira, dia 11, o jornal publicou uma extensiva cobertura das comemorações, que tomaram conta de todo o Recife. À frente das atividades organizadas pelo DIARIO estava o sociólogo Gilberto Freyre, colaborador do jornal, que também organizou o Livro do Nordeste, lançado em comemoração do centenário. "Excederam por muito a nossa expectativa, em brilho e animação, as festas comemorativas do centenário de fundação do DIARIO DE PERNAMBUCO", abre assim o jornal daquela quarta-feira.

  A antiga rua das Cruzes, na lateral do prédio, foi rebatizada de rua Diário de Pernambuco. Às 21h, tomou conta do prédio um sarau, com ilustres representantes da sociedade pernambucana. A principal atração era o Salão 1825, "reconstituindo uma fase do tempo em que Miranda Falcão fundou seu pequeno jornal para 'transações' no comércio do Recife da década da Independência do Brasil", como escreveu Arnoldo Jambo no livro Diario de Pernambuco - História e Jornal de Quinze Décadas, edição comemorativa do sesquicentenário.

  Neste salão, que, como publicou o jornal, transportava os visitantes "ao Pernambuco de há cem anos", havia retratos pintados a óleo de personagens da época, distribuídos pelas largas paredes. Ao fundo do salão, ficava uma coroa imperial de ouro velho sobre um grande espelho oval. A idéia era reconstituir o Brasil de D. Pedro I, período da fundação do jornal. Retratos do imperador e de sua mulher, D. Leopoldina, em tamanho natural, vestidos de gala, compunham o cenário, adornado ainda com castiçais de época, cortinas pesadas, anjos bochechudos tocando harpa, jarros coloridos da coleção de Braz Ribeiro, além de pinturas de época, "fixando aspectos do Recife dos nossos bisavós", gravuras em ricas molduras, sofás de jacarandá e quadros antigos de santas.

  Em contraste foi montado também o Salão 1925, com ornamentação leve e delicadeza nas cores, predominando o azul e o branco da bandeira de Pernambuco. Estavam presentes o governador Sergio Loreto e Antonio de Góes, prefeito do Recife. Entre 20h e 23h, a banda municipal tocou, em um coreto montado na praça, trechos de O Guarany, de Carlos Gomes, Aída, de Verdi, e Madame Butterfly, de Puccini, entre outras peças.

  Além das celebrações comandadas pelo DIARIO, houve festas e homenagens organizadas pelas mais diversas instituições pernambucanas, como a Associação Comercial, o Jockey Club, colégios, grêmios literários, Câmara dos Deputados e a Associação Pernambucana de Escoteiros.

LIVRO DO NORDESTE- Um dos marcos do centenário do DIARIO foi o lançamento do Livro do Nordeste, idealizado e coordenado pelo sociólogo Gilberto Freyre. Segundo Arnoldo Jambo, no livro Diario de Pernambuco - História e Jornal de Quinze Décadas, a publicação "foi e ainda é, para o estudo de assuntos regionais, uma fonte e um ponto de partida à apreciação dos nossos primeiros passos no caminho de trabalhos de natureza sociológica, ecológica e até antropológica, além de testemunho e fruto marcante do início daobra do sociólogo-antropólogo Gilberto de Mello Freyre".

  Freyre reuniu um time de intelectuais representativos do Nordeste, como o português Fidelino de Figueiredo, o pernambucano Manuel Caetano, os paraibanos Ademar Vidal e Odilon Nestor, os alagoanos Moreno Brandão e Leite Oiticica e o cearense Thomaz Pompeu Sobrinho. O livro traz ensaios sobre temas nordestinos e históricos.

  O poeta Manuel Bandeira comparece com o poema Evocação do Recife. Em carta a Freyre, o autor escreveu: "Passei toda a tarde com o nariz metido no livro do DIARIO, feito menina que ganhou um livro mais bonito... Que prazer tive de olhar os desenhos do Bandeira. Quem é esse estupendo xará? É Manuel também? Ele está juntando um tesouro! Gilberto, como vocês me trataram carinhosamente, como ficou bonita a colocação dos meus versos", diz o poeta.

 
        Escolha aqui um canal do Pernambuco.com:
quem somos | contato comercial | sua opinião sobre o portal
Copyright 2003 - Pernambuco.com | todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo desta página sem a prévia autorização | faleconosco@pernambuco.com