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| Especial DIARIO de Casa Nova |
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A pomposa festa do centenário
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COMEMORAÇÕES PARA MARCA INÉDITA MOBILIZARAM A SOCIEDADE PERNAMBUCANA E REPERCUTIRAM ATÉ NO EXTERIOR |
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As comemorações do centenário do DIARIO
DE PERNAMBUCO, primeiro periódico da América Latina a atingir tal
marca, mobilizaram de forma intensa a sociedade pernambucana e repercutiram
em todo o Brasil e até no Exterior. A edição do dia do aniversário,
7 de novembro de 1925, tinha nada menos que 60 páginas, um recorde
para os jornais da época. O jornal publicou diversas mensagens de
felicitações de autoridades nacionais e estrangeiras, com destaque
para Artur Bernardes, então presidente do Brasil. Outros remetentes
foram governadores de Estado, ministros, jornais do Brasil e do Exterior
e cônsules.
A capa traz uma ilustração de Manuel Bandeira, artista gráfico homônimo
do poeta. Uma página mostra várias capas do jornal sob o título Diario
Através do Século. Outra presta uma homenagem às "nações amigas oficialmente
representadas entre nós", por meio dos cônsules de países como China,
Dinamarca, Grécia e Portugal. Há textos sobre a genealogia pernambucana
(com a origem dos sobrenomes das famílias locais), a mulher pernambucana,
a história e a economia do Estado e os judeus na América, entre outros.
Na quarta-feira, dia 11, o jornal publicou uma extensiva cobertura
das comemorações, que tomaram conta de todo o Recife. À frente das
atividades organizadas pelo DIARIO estava o sociólogo Gilberto Freyre,
colaborador do jornal, que também organizou o Livro do Nordeste, lançado
em comemoração do centenário. "Excederam por muito a nossa expectativa,
em brilho e animação, as festas comemorativas do centenário de fundação
do DIARIO DE PERNAMBUCO", abre assim o jornal daquela quarta-feira.
A antiga rua das Cruzes, na lateral do prédio, foi rebatizada de
rua Diário de Pernambuco. Às 21h, tomou conta do prédio um sarau,
com ilustres representantes da sociedade pernambucana. A principal
atração era o Salão 1825, "reconstituindo uma fase do tempo em que
Miranda Falcão fundou seu pequeno jornal para 'transações' no comércio
do Recife da década da Independência do Brasil", como escreveu Arnoldo
Jambo no livro Diario de Pernambuco - História e Jornal de Quinze
Décadas, edição comemorativa do sesquicentenário.
Neste salão, que, como publicou o jornal, transportava os visitantes
"ao Pernambuco de há cem anos", havia retratos pintados a óleo de
personagens da época, distribuídos pelas largas paredes. Ao fundo
do salão, ficava uma coroa imperial de ouro velho sobre um grande
espelho oval. A idéia era reconstituir o Brasil de D. Pedro I, período
da fundação do jornal. Retratos do imperador e de sua mulher, D. Leopoldina,
em tamanho natural, vestidos de gala, compunham o cenário, adornado
ainda com castiçais de época, cortinas pesadas, anjos bochechudos
tocando harpa, jarros coloridos da coleção de Braz Ribeiro, além de
pinturas de época, "fixando aspectos do Recife dos nossos bisavós",
gravuras em ricas molduras, sofás de jacarandá e quadros antigos de
santas.
Em contraste foi montado também o Salão 1925, com ornamentação leve
e delicadeza nas cores, predominando o azul e o branco da bandeira
de Pernambuco. Estavam presentes o governador Sergio Loreto e Antonio
de Góes, prefeito do Recife. Entre 20h e 23h, a banda municipal tocou,
em um coreto montado na praça, trechos de O Guarany, de Carlos Gomes,
Aída, de Verdi, e Madame Butterfly, de Puccini, entre outras peças.
Além das celebrações comandadas pelo DIARIO, houve festas e homenagens
organizadas pelas mais diversas instituições pernambucanas, como a
Associação Comercial, o Jockey Club, colégios, grêmios literários,
Câmara dos Deputados e a Associação Pernambucana de Escoteiros.
LIVRO DO NORDESTE- Um dos marcos do centenário do DIARIO foi o lançamento
do Livro do Nordeste, idealizado e coordenado pelo sociólogo Gilberto
Freyre. Segundo Arnoldo Jambo, no livro Diario de Pernambuco - História
e Jornal de Quinze Décadas, a publicação "foi e ainda é, para o estudo
de assuntos regionais, uma fonte e um ponto de partida à apreciação
dos nossos primeiros passos no caminho de trabalhos de natureza sociológica,
ecológica e até antropológica, além de testemunho e fruto marcante
do início daobra do sociólogo-antropólogo Gilberto de Mello Freyre".
Freyre reuniu um time de intelectuais representativos do Nordeste,
como o português Fidelino de Figueiredo, o pernambucano Manuel
Caetano, os paraibanos Ademar Vidal e Odilon Nestor, os alagoanos
Moreno Brandão e Leite Oiticica e o cearense Thomaz Pompeu Sobrinho.
O livro traz ensaios sobre temas nordestinos e históricos.
O poeta Manuel Bandeira comparece com o poema Evocação do Recife.
Em carta a Freyre, o autor escreveu: "Passei toda a tarde com o nariz
metido no livro do DIARIO, feito menina que ganhou um livro mais bonito...
Que prazer tive de olhar os desenhos do Bandeira. Quem é esse estupendo
xará? É Manuel também? Ele está juntando um tesouro! Gilberto, como
vocês me trataram carinhosamente, como ficou bonita a colocação dos
meus versos", diz o poeta. |
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