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Dólar fecha abaixo dos R$ 3,00
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MERCADO |
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SAO PAULO - O dólar fechou ontem cotado a R$ 2,995, abaixo dos R$ 3,00 pela primeira vez desde o início de maio, quando os mercados financeiros começaram a entrar em turbulência. Prevendo uma mudança mais brusca na política monetária dos Estados Unidos que poderia afetar o fluxo de investimentos para mercados emergentes, os investidores passaram a descarregar os ativos brasileiros, levando o dólar ao pico de R$ 3,212 em 20 de maio. No início do mês, confirmou-se o aumento gradual dos juros americanos, em apenas 0,25 ponto porcentual, para 1,25% ao ano. E, passada a reunião do banco central americano, há cada vez mais sinais de que as autoridades monetárias continuarão a elevar os juros gradualmente. O resultado foi uma queda progressiva do dólar no Brasil de volta para os R$ 3,00.
"O mercado voltou à normalidade", diz o economista-chefe do banco Santander Banespa, André Lóes. Segundo ele, o mercado havia sido subvertido nos últimos dois meses, com investidores vendendo ativos brasileiros ou montando posições em que ganhariam com novas altas no câmbio. Com a melhora do cenário externo, a tendência se inverteu e os investidores passaram a desmontar essas apostas. "Uma vez feito esse ajuste de posições, o mercado volta ao dia-a-dia", variando conforme o fluxo de dólares.
Ontem, na verdade, o fluxo de dólares foi fraco. "Importadores e exportadores resolveram parar um pouco para ver em que nível o dólar se estabiliza", diz Elói Dantas Jr., superintendente financeiro da Intercam Corretora de Câmbio. De todo modo, o fato de o dólar não ter subido mais nas recentes turbulências, assim como sua volta rápida ao nível anterior à crise, são uma demonstração na prática da redução da vulnerabilidade externa do Brasil.
O grande volume de dólares trazidos ao Brasil pelo forte desempenho da balança comercial, dizem os economistas, ajuda a evitar grande volatilidade no câmbio. "Quando o dólar sobe para um pico de R$ 3,20, muitos exportadores procuram antecipar o fechamento de contratos", o que corresponde a uma venda de dólares, diz Dantas. A oferta desses exportadores forma um certo contrapeso para a demanda e impede valorizações mais acentuadas.
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