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Edição de Terça-Feira, 20 de Julho de 2004 
Brasil | Escola de samba acusada de exploração
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BRASIL
Escola de samba acusada de exploração
Ministério Público intima presidente da Unidos da Tijuca a depor sobre denúncia de trabalho escravo
RIO - O Ministério Público do Trabalho intimou ontem o presidente da escola de samba Unidos da Tijuca, Fernando Horta, e o vice-presidente, Carlos Alberto de Araújo, a depor sobre a denúncia de exploração de 30 integrantes da escola, que estão na cidade de Constanta, na Romênia, para fazer shows. A polícia do Rio também investiga o caso. Segundo o Conselho Estadual dos Direitos dos Negros (Cedine), eles não foram pagos pelas apresentações, apesar de terem ido para a Romênia em maio. O grupo só teria recebido dinheiro, ainda no Rio, para comprar roupas para a viagem. A denúncia foi enviada ao MPT pela Secretaria Estadual do Trabalho.

  A procuradora Eliane Lucina disse que o presidente e o vice terão de prestar depoimento ainda esta semana. Ela está com o caso provisoriamente, já que o procurador designado, Wilson Prudente, está fora do Rio, a trabalho. O delegado Orlando Zaccone, da delegacia da Tijuca, também deverá ouvir representantes da agremiação. Além da questão trabalhista, os sambistas reclamam de maus tratos por parte da prefeitura de Constanta, que os contratou. Alguns disseram que as instalações do hotel onde foram acomodados não têm condições próprias de higiene: são coletivas e estão infestadas de insetos. Também alegaram que a comida e o atendimento médico são ruins.

  

ESCRAVOS - O coordenador geral do Cedine, Pedro Paulo dos Santos, contou que Fernando Horta teve ontem à tarde uma reunião com representantes da prefeitura para tentar resolver a situação dos sambistas. O resultado do encontro não havia sido divulgado até o fechamento desta edição. O conselho considera que eles estão sendo submetidos a trabalho escravo. "O contrato que foi firmado seria para eles trabalharem nas Ilhas Virgens, e não na Romênia. Não prevê o número de horas nem dá outros detalhes", disse. Santos garantiu que o Governo do Rio está empenhado em ajudar o grupo. "Se eles não voltarem, nós vamos lá pegá-los".

  De acordo com o Cedine, os integrantes foram impedidos de deixar o hotel e, ao reclamarem com o dono do estabelecimento, ele ameaçava chamar a polícia para prendê-los. A informação de que eles tiveram os passaportes confiscados, confirmada pelo conselho, foi negada pelo Itamaraty. Os sambistas chegaram à Romênia no dia 17 de maio e têm volta prevista para 21 de agosto. Segundo Pedro Paulo Santos, um dos componentes está com medo de retornar para o Rio, por conta de desentendimentos com a direção da Unidos da Tijuca motivados pelas reclamações, e planeja se mudar para outro país.

 
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