RIO - A campanha eleitoral estava fervendo em Goianinha, ali perto do paraíso tropical da divina praia da Pipa, no Rio Grande do Norte. O coronel Adauto Rocha, da UDN, jogava tudo naquela eleição, para derrotar o coronel José Lucio, do PSD.
De Natal, para ajudar a campanha do PSD, foi para Goianinha o jovem Fernando Marinho, sobrinho do inesquecível Djalma Marinho. No serviço de alto falantes, Fernando começou a atacar Adauto Rocha:
"Ele não presta! Esse coronel Adauto Rocha não presta!"
E ia em frente, dizendo porque Adauto Rocha não prestava. A cidade, pequenininha, ouvia surpresa, assustada, com medo.
Fernando Marinho
Adauto Rocha pegou o revolver, saiu de casa, entrou no estúdio, pôs o cano bem na cabeça de Fernando Marinho:
"Meu filho, estou gostando muito de seu discurso. Só que é o contrário. Você não está dizendo certo. Diga tudo isso ao contrário, que é o certo. Diga o certo, senão morre. E morre agora mesmo. Diga logo o certo!"
Fernando nem mudou de tom. Continuou:
"Pois é, meus amigos de Goianinha, como eu ia dizendo,
o coronel Adauto Rocha é bom, é um homem muito bom.
Quem não presta é o coronel José Lucio. E meu tio também
não vale nada".
Levantou-se e voltou correndo para Natal.
Gushiken
O barbichoso ministro Gushiken, da Comunicação Social do Governo, é o coronel Adauto Rocha do Palácio do Planalto. Quer obrigar todo mundo a dizer que o Governo está certo e quem pensa diferente está errado.
Ele tem uma montanha de dinheiro na mão para enfiar o revolver na cabeça da Imprensa. Somando as verbas de propaganda de todas as estatais, que o ministério de Gushiken controla, é muito mais de R$ 1 bilhão. Só para a propaganda direta da Presidência da Republica são R$ 150 milhões, entregues ao talentoso enólogo baiano Duda Mendonça.
E acha pouco. Acaba de contratar, por R$ 4 milhões cada um, dois institutos de pesquisa "para ter um retorno diário da imagem do Governo".
Palocci
A tudo isso, que na verdade significa dinheiro público para ver se diminui a surra do PT nas eleições,cada ministro disfarçadamente vai armando suas barracas. A Folha informa:
"Um grande evento marcará a estréia de Antonio Palocci na campanha em sua Ribeirão Preto. No próximo dia 27, levando a tiracolo o colega Luis Furlan, o ministro participará de seminário promovido pela prefeitura do claudicante candidato à reeleição, Gilberto Magioni, PT".
E a Lei de Responsabilidade Fiscal? A prefeitura fazendo "grande evento" com os ministros Palocci e Furlan, com dinheiro público, para reeleger o prefeito do PT. E o Código de Ética? E o FMI, aprovou?
De todo lado pipocam escândalos, mostrando que, para o Governo, o certo é arrancar dinheiro e voto para o PT e a legalidade que se dane. Folha: "O PT misturou arrecadação de campanha e discussão de projetos de Parceria Público-Privada com empresários. Deu munição à oposição".
O certo
O certo, de fato, é que o Governo afunda por ele mesmo,
pela inapetência, incompetência e falta absoluta de um
projeto nacional:
1 - "A Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2005deixou de cabelo em pé parlamentares que tiveram a chance de examiná-la em detalhes. O texto aprovado estabelece metas de gastos sociais expressivamente inferiores às de 2004. Entre o que foi pedido pelo ministério do Desenvolvimento Social e o que o ministério do Planejamento inscreveu na LDO, há diferença para menos em vários programas, como o da construção de cisternas no semi-árido e o festejado Bolsa-Família" (Folha).
2 - "Dos R$ 993.979.177 de dotação para saneamento urbano, até 7 de julho o Governo só tinha executado 2,5%, uns R$ 24 milhões". (Globo).
Só para o "Jatão do Forró" foram R$ 170 milhões.
Até FHC
Ora, vejam. Até Fernando Henrique se sente com autoridade moral e cívica para puxar as orelhas de Lula. Diz na revista Primeira Leitura, do Luiz Carlos Mendonça de Barros (aquele presidente do BNDES e ministro das Comunicações que comandou, com expedita audácia, a telepirataria):
"É preciso uma pedagogia a respeito da dívida (que ele elevou de R$ 60 para R$ 900 milhões, e Lula já jogou para mais de R$ 1 trilhão). Precisa haver a adesão de grupos importantes a uma nova solução que evite a impressão de se estar propondo o calote. Ainda vai levar algum tempo para que todo mundo entenda que, para voltar a crescer, vamos ter que resolver essa questão".
O "efeemeílico" Merval Pereira, no Globo, quase arranca
os bigodes:
"Não há uma explicação razoável para a sem-cerimônia (sic) com que o ex-presidente toca em um assunto que antes era proibido (sic) e deixava, em quem o abordasse, o estigma de irresponsável".
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