Últimas Diversão Comunidade Tecnologia Esportes Turismo Quem Somos
Diario de Pernambuco TVGuararapes Radio Caetés Rádio Clube
Edição de Terça-Feira, 20 de Julho de 2004 
Brasil | DIARIO Nacional
   DIARIO
   Índice Geral
   Expediente
   Ed. Anteriores
   Assinaturas
   História
   CADERNOS
   Política
   Brasil
   Mundo
   Economia
   Esportes
   Vida Urbana
   Viver
   SUPLEMENTOS
   Revista da TV
   Empregos
   Viver Mulher
   Viagem
   Informática
   Carro
   Imóveis
   Saúde
   Diarinho

    SERVIÇOS

   Loterias

BRASIL
DIARIO Nacional
Sem-terra, mas com-vereador
DORA KRAMER
E-mail:
dkramer@estadao.com.br
Naturalmente, a "metodologia" será aplicada à ação dos parlamentares - desta vez só municipais - que o MST conseguir eleger. Donde é lícito imaginar que vereadores representantes do movimento adotem, no exercício de seus mandatos, "a pressão para alcançar seus objetivos".

Depois de notabilizar a violência como forma de reivindicação, o MST amplia seus domínios para além da reforma agrária e estende a lógica da invasão para qualquer ato e qualquer vontade relacionada ao movimento. E faz isso quase sob a indiferença geral, talvez pela evidência do quanto é inútil apontar a gravidade e o inusitado da existência de um grupo de pessoas autorizadas a transgredir a lei, num gentil patrocínio do Estado, aí incluídos os governos federal e a maior parte dos estaduais. Semana passada já havia soado esquisita a notícia da invasão da sede do PT em Itabuna (BA) pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, pois ali nada se decide a respeito de desapropriações.

  No dia seguinte, ecoou temerária a informação de que o mesmo grupo invadiu a delegacia de outro município baiano (Aurelino Leal) para soltar dois sem-terra presos horas antes. Ambos saíram sob a égide da marra, e ficou assim tudo dominado. Ontem, afigurou-se extraordinária (no sentido da extravagância) a história - publicada no Globo- de que o grupo invasor da sede do PT em Itabuna queria nada menos que pressionar o partido a abrir mão de uma vaga de vereador para cedê-la a um integrante do movimento interessado em disputar, mas impedido pela Justiça Eleitoral por causa da redução do número de vereadores em todo o País.

  O notável é que a meta foi alcançada. Um dos 18 concorrentes petistas desistiu - não por livre muito menos espontânea vontade, é claro -, o candidato do MST ganhou a legenda e os invasores retiraram-se satisfeitos. O dirigente local do PT, Adeum Sauer, não pareceu espantar-se com o que viu. "A ocupação faz parte da metodologia do MST. Eles adotam a pressão para alcançar seus objetivos", disse, achando tudo muito normal. Naturalmente, a "metodologia" será aplicada à ação dos parlamentares - desta vez só municipais - que o MST conseguir eleger. Donde é lícito imaginar que vereadores representantes do movimento adotem, no exercício de seus mandatos,

"a pressão para alcançar

seus objetivos".

  Como a "pressão", de acordocom o entendimento vigente entre os sem-terra e aceito pelas autoridades e dirigentes partidários, não inclui a observância da lei, cabe a dúvida: aonde mesmo quer chegar o MST ao pretender eleger representantes populares para o Poder Legislativo? Considerando seu desapreço à legalidade, deve ser para dar-se às burlas com a falta de cerimônia conferida aos donos de imunidade parlamentar. Portanto, convém à sociedade - já que ao Estado nenhum argumento comove - muita precaução quando a "metodologia" alcançar a disputa pelas vagas no Congresso Nacional.

Ponto final

  Louve-se o otimismo dos partidários da tese segundo a qual o ministro José Dirceu ficou mais poderoso do que nunca ao assumir a nova Câmara de Política e Desenvolvimento Econômico, pois seria, assim, o responsável pela formulação das diretrizes do crescimento brasileiro. Formular, Dirceu pode formular à vontade. Mas, para implementar, depende do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Lula criou uma capitania para o ministro da Casa Civil, mas na política econômica e no poder de Palocci nem cogitou triscar. Ao contrário, parece ter dito com o gesto que a brincadeira de fazer de conta em público que a condução da economia é uma questão em disputa já cansou.

Santo de casa

  A partir de agosto, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara vai fazer uma campanha entre parlamentares candidatos, a fim de dar a suas excelências perfeito conhecimento a respeito do conteúdo da Lei 9.840, que proíbe a oferta, doação, promessa ou entrega ao eleitor de vantagem pessoal de qualquer natureza, incluindo emprego ou função pública, "a fim de obter-lhe o voto". Os autores da idéia, deputados Orlando Fantazzini e Chico Alencar, ambos do PT, consideram prudente a providência, em virtude do que já se viu nas duas primeiras semanas de campanha. "O mercado de votos anda intenso e o clientelismo em alta", observa Alencar.

Fora d'água

  Só agora, quando as expectativas a respeito do desempenho dos candidatos petistas já melhorou consideravelmente por causa da economia,é que se nota como o Governo estava pessimista quanto aos resultados de outubro. Até candidatos tidos como fora do páreo - Jorge Bittar, no Rio, e Nelson Pellegrino, em Salvador, por exemplo - já são tidos como capazes de "tirar a cabeça fora d'água e enxergar a outra margem do rio". Isso não significa que o PT voltará a fazer previsões como aquela de quintuplicar o número de prefeituras País afora. A palavra de ordem agora é prudência.

 
        Escolha aqui um canal do Pernambuco.com:
quem somos | contato comercial | sua opinião sobre o portal
Copyright 2003 - Pernambuco.com | todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo desta página sem a prévia autorização | faleconosco@pernambuco.com