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Campanha tenta resgatar auto-estima da população
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SÃO PAULO - A baixa auto-estima dos brasileiro não é motivada por razões sócio-econômicos, mas sim pela desestruturação familiar. O hábito dos brasileiros de acharem que o Estado pode resolver tudo precisa ser trocado pelo resgate de valores religiosos, familiares e de amizades. O recado é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participou ontem do lançamento da campanha O melhor do Brasil é o brasileiro, da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) e Lew, Lara, agência que atende às contas da entidade e também do Governo.
"No Brasil, muitas vezes, as pessoas tentam simplificar tudo nas questões econômicas. Eu me lembro que nós temos um processo de desagregação da estrutura da sociedade brasileira, a partir da família", discursou o presidente. Na opinião de Lula, a campanha mexerá com valores pessoais que são tão importantes quanto a economia da País. Segundo Lula, "no Brasil, historicamente, o Estado criou muitos problemas. Mas uma outra parte é a sociedade que tem que resolver, sobretudo, a família".
HERÓIS - Na opinião do presidente Lula, os estrangeiros acreditam muito mais no Brasil e no potencial de seu povo que o próprio brasileiro. "Por que tanta gente de fora acredita tanto no povo brasileiro e nós, às vezes, não acreditamos? Porque que nós mesmos, muitas vezes, preferimos o slogan made em qualquer outro país, do que uma coisa produzida por nós, pela nossa criatividade, pela nossa inteligência, pela nossa cultura. Eu penso que isso vem de muito longe. Acho que isso vem ainda do tempo do Brasil Colônia", discursou Lula.
O presidente enfatizou ainda que o Brasil é um país que não cultua heróis, ao contrário dos lugares que ele visita no exterior. Ele ponderou que existe o papel de mitos esportivos como o piloto Ayrton Senna e o jogador Pelé, além dos artistas, mas ressaltou a necessidade das referências políticas. "A gente não tem a figura que todo país do Mundo tem, porque em algum momento, neste país, se achou que era possível viver sem referência. E eu acho que nós temos obrigação de contribuir com a construção de um outro momento na vida do nosso país", afirmou o presidente.
Durante o lançamento da campanha, Lula assistiu aos comerciais de televisão que entrarão no ar com o objetivo de aumentar a auto-estima dos brasileiros. São enfatizadas as histórias do jogador Ronaldinho, e do cantor Herbert Viana, do Paralamas do Sucesso, que chegaram a ser desacreditados e superaram suas dificuldades. Duas pesquisas embasam a campanha pela auto-estima. Uma, feita pelo Sebrae, em 2002, destaca que os brasileiros valorizam muito mais o que vem de fora do País. Outra, da Latinobarómetro, de 2003, diz que só 4% dos brasileiros dizem confiar nos compatriotas.
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