|
|
|
Guerrilheiros das Farc negam tráfico de munição
|
COLOMBIANOS |
|
 |
MANAUS - As Farc (Forças Armadas Revolucionária da Colômbia) negaram ontem serem as responsáveis pelas munições de uso exclusivo do Exército brasileiro descobertas, na quinta-feira passada, em um depósito clandestino de Manaus. Em nota enviada por e-mail à reportagem, as Farc afirmam que a munição encontrada em Manaus não era para guerrilha. "A finalidade é confundir mais ainda a opinião do povo brasileiro", diz a nota, que afirma também que a polícia colombiana supostamente "mistura coca nos uniformes" dos guerrilheiros para prejudicar a imagem das Farc.
Segundo as Farc, há poucos dias os militares colombianos divulgaram informações dando conta que munição foi encontrada em acampamentos da guerrilha, mas nada foi confirmado. "Felizmente a guerra não se ganha na tela nem nas manchetes. Segundo o Exército, foram pegos no acampamento do Mono Jojoy [um guerrilheiro] 400 mil cartuchos, mas não apresentaram nenhum", dizem as Farc.
A Polícia Civil do Amazonas investiga as possibilidades de que o material bélico encontrado em Manaus poderia ser utilizado para abastecer as Farc ou grupos contrários ou aliados do presidente Hugo Chávez, na Venezuela. Os dois homens encontrados acondicionando a carga em tonéis se recusam a esclarecer o caso, segundo a polícia. Mas a polícia descobriu que um deles, o brasileiro Francisco Ferraz de Souza, 49 anos, tem resgistro na Justiça Federal por tráfico de drogas. Souza foi preso com 25 quilos de cocaína no Pará, em 2002, e também em 1997, no Amazonas, quando tentava alugar um avião para levar droga para a Colômbia.
O Comando Militar da Amazônia também abriu inquérito militar para investigar se a carga foi roubada de algum quartel do Exército, e destinou 30 dias para concluir a investigação. A munição apreendida, avaliada pela Polícia Civil em R$ 160 mil, é composta por 8.795 unidades de cartuchos da marca CBC de calibres 50 (utilizados para fuzis AR-15, AK-47 e metralhadoras antiaéreas) e 7.62 e 9 mm (para pistolas), além de 5 mil detonadores para explosivos. A Polícia Civil encontrou o material durante uma operação de combate ao tráfico de droga, chegando ao depósito localizado na zona portuária da cidade, por meio de uma denúncia anônima.
|
 |
|
|