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Edição de Sábado, 17 de Julho de 2004 
Viver | Bonsucesso encara outro contexto
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VIVER
Bonsucesso encara outro contexto
Luciana Veras
Da equipe do DIARIO
O Samba Chegou, primeiro videoclipe do Bonsucesso Samba Clube, ficou em terceiro lugar no V Festival de Vídeo de Pernambuco. Produzidas pela Ateliê, as imagens mostravam os integrantes do grupo - Roger Man, André Édipo, Chico Tchê, Hugo Carranca e Berna Vieira (que já saiu) - passeando por Olinda, tomavando cerveja num bar ou enquadrados pelas portas da Cidade Alta. Nada mais diferente do segundo clipe, recém-finalizado, concebido, animado e dirigido pelo designer pernambucano radicado em Barcelona Helder Santos.

  A música é Pensei Se Há. Os rapazes do Bonsucesso nem aparecem. Radicado em Barcelona desde 2002, quando lá chegou para cursar um mestrado de design de interfaces multimídia, Santos fala sobre Nino, o protagonista do clipe: "Meu projeto de curso foi a realização de um curta de animação interativo para DVD chamado Cidade Estuário, sobre as andanças de um menino de rua, Nino, por entre as diversas faces da cultura e paisagens de Recife e Olinda. O roteiro foi concebido em diversos blocos de um minuto e pouco, distribuídos em quatro espécies de capítulos: o Carnaval, o Centro, os Rios e a Fé".

  Helder, formado em Design Gráfico pela UFPE, conta que o curta não foi terminado por "falta de tempo", embora ele tenha passado "dois meses para fazer todos os desenhos, montar as animações e editar os clipes". Como fundo, ele utilizou músicas pernambucanas, duas delas do BSC, uma delas Pensei Se Há. De férias no Recife, os amigos sugeriram que ele transformasse aquele material num clip. "Pensei de cara no Bonsucesso porque sou amigo de Roger e de Berna e fã dos meninos desde que começaram. Mostrei a Roger e André, que gostaram muito, e me ofereci pra fazer qualquer clipe deles", diz.

  "Curtia mais a versão que fiz para Pensei Se Há e sugeri que fosse essa. Eles toparam e me deram total liberdade. Comecei a trabalhar nele em março. Queria utilizar o personagem mas sair do cenário do centro. Quando mandei um storyboard antigo, André me perguntou se eu não podia inserir algo de Olinda. Então pensei em reciclar todo o material do curta com uma nova versão do personagem e uma série de outros cenários que tinha desenhado", emenda Helder.

  Resultado: no clipe, Nino caminha pelo Recife, encontra o Enquanto Isso na Sala da Justiça e o dragão do Eu Acho É Pouco em Olinda e se defronta com a violência urbana. Influenciado pelas xilogravuras de Samico, J. Borges, Goeldi e do japonês Hokusai e pelas HQs de Lourenço Mutarelli, Tayo Matsumoto, El Roto e Frank Miller, Helder Santos cria um outro contexto de leitura para a letra, abordando a temática social, forjando uma experiência estética que remete aos autores que lhe inspiram mas que formam um universo próprio e aproximando o público da visão de mundo de Nino.

 
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