Fenômeno recente, o hábito adolescente de ficar - costume que vem motivando uma série de discussões sociológicas - vem também sendo alvo de estudos sobre saúde. A principal preocupação dos profissionais se fundamenta no fato de que os jovens, durante esses relacionamentos-relâmpago, muitas vezes costumam manter relações sexuais sem a devida proteção e com vários parceiros em curtos períodos, o que vem facilitando a contaminação por doenças sexualmente transmissíveis (DST) e especialmente a Aids.
Os números do HIV no Brasil reiteram os alertas feitos por especialistas. De acordo com o último Boletim Epidemiológico da Aids divulgado pelo Ministério da Saúde - que engloba o período entre os anos de 1980 e 2002 - há no Brasil 257.780 casos notificados da doença. Desses, 5.597 foram diagnosticados em adolescentes entre 13 e 19 anos. Mais da metade deles - 2.970 - segundo relatos dos infectados, foi motivada por contaminação sexual, enquanto 1.830 casos ocorreram pelo uso compartilhado de agulhas e seringas durante o consumo de drogas injetáveis.
Mesmo assim, os motivos que levam os jovens a usar preservativos se devem muito mais ao desejo de evitar uma gravidez do que à prevenção contra a Aids. De acordo com uma pesquisa feita recentemente pelo Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente (Nesa) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) feita com 380 pessoas na faixa etária de 13 a 19 anos, 90% dos adolescentes afirmaram que a camisinha é o melhor método contraceptivo. O mesmo percentual, porém, reconheceu já ter mantido relações sexuais sem preservativo.
Para discutir estes tópicos, especialistas na área vão se reunir no Recife entre os dias 29 de agosto e 1º de setembro, quando acontece o I Congresso Brasileiro de Aids. Durante o evento, que acontece paralelamente ao V Congresso Brasileiro de Prevenção em DST e Aids e V Congresso da Sociedade Brasileira de DST, serão ações e novidades em prevenção, tratamento e diagnóstico de doenças sexualmente transmissíveis.
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