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Protesto e tensão na Argentina
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Presidente diz mais uma vez que existe conspiração contra sua administração |
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BUENOS AIRES - Uma violenta manifestação que durou mais de quatro horas na capital argentina, ontem, causou uma grande destruição na Assembléia Legislativa da cidade de Buenos Aires e aumentou a tensão no país, causada pela escalada de protestos de piqueteiros nas últimas semanas. A multidão, formada por grupos de esquerda, vendedores ambulantes, travestis, prostitutas e piqueteiros, avançou violentamente contra o edifício da Assembléia, onde seria discutido o chamado Código de Convivência. A lei estabelece várias normas para controlar a violência, como a redução da idade penal para 16 anos, a repressão a vendedores ambulantes ilegais e a regulamentação rígida para protestos de rua.
Os manifestantes, muitos armados com paus e barras de ferro, quebraram todas as vidraças do edifício e atiraram pedras. A polícia tentou contê-los com jatos de água. Depois de três horas de fracassadas tentativas de parar os manifestantes, a polícia usou balas de borracha e gás lacrimogêneo. Não houve feridos.
O protesto por causa das novas regras para a Província de Buenos Aires foi o último de uma semana marcada por várias e fortes manifestações de grupos piqueteiros que, há quase dois meses, vêm intensificando as pressões sobre o governo do presidente Néstor Kirchner, para que sejam ampliados os planos sociais no país, onde pobreza atinge mais de 50% da população.
A escalada já custou mais de dez pontos percentuais na popularidade do presidente no último mês, segundo pesquisa feita pela Ipsos-Mora e Araújo para o jornal La Nación, divulgada ontem.
A aprovação do governo de Kirchner caiu de 73% para 63%. A rejeição à política do governo com relação aos movimentos piqueteiros foi a maior responsável pela queda. Segundo o levantamento, 68% dos entrevistados criticaram a reação do governo.
Kirchner atribuiu o aumento da tensão social a uma conspiração contra seu governo. O presidente vive uma disputa por espaço político com o ex-presidente e também peronista Eduardo Duhalde. "Não há conspiração política, o que há é aumento de demandas sociais", disse o analista político Enrique Zuleta Puceiros, presidente do Ibope na Argentina.
Desconfiado da polícia e da Justiça, alvos de suas criticas, Kirchner tem evitado reagir às manifestações. O presidente já trocou vários ministros da Suprema Corte de Justiça e demitiu chefes de polícia. "Não vou usar contra os piqueteiros essa polícia de gatilho fácil", costuma repetir. "Ele quer evitar mortes que criariam heróis e aumentariam a oposição a seu governo", afirma Puceiros.
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