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Inadimplência atinge 37% dos consumidores do Recife
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Pesquisa ouviu 800 pessoas entre os dias 9 e 11 deste mês na cidade |
Rosa Falcão DA EQUIPE DO DIARIO |
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O recifense anda mal do bolso e endividado. É o que mostra a pesquisa da consultoria Datamétrica sobre a situação financeira da população do Recife, realizada pela Consultoria Datamétrica, entre os dias 9 e 11 deste mês. Foram ouvidas 800 pessoas de diferentes faixas etárias, grau de instrução e de renda em todos os bairros da cidade. Uma fatia equivalente a 37% dos entrevistados têm algum tipo de dívida e 19% desses potenciais devedores gastam mais da metade de sua renda mensal para pagar esses débitos. Mesmo endividados, os recifenses são otimistas e acreditam que a situação financeira pessoal e da família vai melhorar nos próximos seis meses.
Os mais otimistas com a recuperação das finanças pessoais estão entre os indivíduos com nível de instrução até o segundo grau e pertencem a classe C. Enquanto os pessimistas se situam na classe A/B e possuem formação universitária. De acordo com o economista Marcelo Eduardo Alves da Silva, coordenador da pesquisa, os de nível superior influenciam e são formadores de opinião. "Há a percepção de que a situação financeira das pessoas não piorou nem melhorou entre 2003 e 2004", disse.
O economista lembra que 2003 foi um ano ruim com perspectivas negativas para a população, devido ao baixo crescimento econômico, altas taxas de desemprego, e queda na renda do trabalhador. A expectativa para 2004 é de que haja recuperação da economia e do emprego, com a melhora no rendimento das pessoas. Até porque, em 2003, a renda dos trabalhadores na Região Metropolitana do Recife (RMR) caiu 17,7% em relação ao ano de 2002. O salário médio real despencou de R$ 531,00 para R$ 646,00. Os dados foram divulgados pelo Departamento Intersindical de Economia e Estatística (Dieese).
ENDIVIDADOS - A queda do rendimento e o desemprego levaram ao endividamento das pessoas. Dos recifenses entrevistados, 37% afirmaram ter algum tipo de dívida com cartão de crédito, cheque especial, crediário, financiamento de casa, carro ou consórcio. Do total, 51% das pessoas chegam a gastar mais de um quarto da renda mensal com o pagamento dessas dívidas. Segundo Marcelo Eduardo, a maioria se refere a dívida ruim porque são débitos com cartão de crédito e cheque especial, que consomem a renda das pessoas e não têm retorno. O economista qualifica como dívida boa aquela que é contraída como investimento. Por exemplo: a compra de um carro, casa, ou consórcio.
O economista destacou que o cenário é ruim porque as pessoas endividadas ficam sem margem para fazer novas aquisições. Vai usar a renda para pagar as dívidas e não consumir bens. "Com o cenário de queda de renda e endividamento elevado, não há expansão do consumo, e a economia não cresce", destacou.
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