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Você já pensou no último e-mail de toda a sua vida?
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Quem se preocupa com a morte pode conferir site que faz a despedida |
Fred Figueiroa DA EQUIPE DO DIARIO |
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A morte é inevitável. Isso todos sabem, mas poucos aceitam - ou sequer pensam no assunto. Mas sempre existem aquelas pessoas que - por consciência, medo, excesso de precaução ou sabe Deus qual o motivo - fazem questão de planejar, ainda em vida, detalhes burocráticos ou sentimentais da sua morte. E, claro, sempre existe um mercado para atender os mais precavidos. É possível comprar jazigos, escolher o caixão e até pagar parceladamente todas as despesas do funeral. E, como não poderia deixar de ser nos dias atuais, essa tendência de mercado já chegou na internet, inclusive com uma opção extra e, até então, inédita: a oportunidade de poder se despedir das pessoas, depois de já ter passado dessa para melhor.
Não é milagre, nem conversa com o além. Trata-se apenas de um e-mail. Não só mais um desses que a gente despeja todo dia. E sim, o último deles. O derradeiro. A despedida. Quem criou essa alternativa foi a companhia européia GlobalSpectrum SL, que construiu o site www.thelastemail.com (que conta com versãotraduzida para o português) onde o serviço é disponibilizado. É importante dizer que o assunto é tratado com a maior seriedade possível - mas sem conseguir escapar de um sentimentalismo um tanto quanto exagerado (mas esta é, inevitavelmente, a arma de venda deles).
No site, encontram-se justificativas do tipo: "Se você se importa com seus entes queridos, e quer que sua morte seja mais fácil para eles, é importante que seus desejos, decisões e instruções estejam anotados e disponíveis para eles depois de sua morte. Depois de deixar tudo planejado, sentirá um profundo sentimento de satisfação e tranqüilidade sobre seu futuro. As pessoas que ama se sentirão muito agradecidas depois de sua morte por todo seu esforço para ajudá-los nesses momentos tão tristes".
O que eles oferecem é o seguinte: o usuário se cadastra no site e escreve mensagens para serem entregues às pessoas que ele quiser, depois da sua morte. Para quem quiser escrever apenas um e-mail, o serviço é gratuito. Para os que quiserem mais e-mails, ou ainda incluir fotos, músicas e vídeos na mensagem final, existem três planos diferenciados, sendo o principal deles, chegando a custar algo em torno de 199 euros (quase R$ 800,00), num plano de pagamento único. Também existe a opção de pagamento anual. Quanto mais cedo morrer, mais barato fica.
Mas vale a pena pagar (e muito!) por isso? "Infelizmente, muitos esperam um longo tempo para se conscientizar sobre a inevitabilidade da morte. O Último E-mail foi criado com o intuito de fazer com que as pessoas lidem com a morte de uma forma diferente, procurando afastar os tabus que a rodeiam. O nosso serviço é inovador e permite planejar e anotar todo o que desejaria dizer para as pessoas que ama", explica a GlobalSpectrum SL, na apresentação da página.
A promessa também é de total segurança. Toda a informação contida nos e-mails é encripitada pela chave de autenticação e não poderá ser visualizada por nenhuma outra pessoa. Segundo os organizadores do endereço eletrônico, nem mesmo eles terão acesso a essas mensagens até que a morte do cliente seja confirmada. Enquanto a sua hora não chegar, o usuário poderá modificar livremente suas mensagens, em qualquer computador conectado à internet. O Último E-mail utiliza também um canal de conexão, com sistema SSL de 128 bits, para que o envio de informações entre o seu browser e os servidores seja feito de maneira segura.
DÚVIDAS - Mas, para os que decidirem realmente optar por essa despedida, surgem duas dúvidas básicas: a primeira delas é "como o site descobrirá que eu morri?". Eles tentam explicar: "Depois de preeencher e enviar a inscrição, você deve acessar seus dados e imprimir o seu documento pessoal". Esse documento é de extrema importância. Guarde-o em um lugar seguro junto aos seus outros materiais importantes. Junto ao seu atestado de óbito, o documento pessoal irá servir como instrumento legal para a liberação das suas mensagens", informa o site, que garante que só poderá autorizar no sistema a liberação e o envio dos seus e-mails depois da análise e processamento desses documentos (óbito e o documento de inscrição do site). Mas uma coisa é inevitável: alguém terá que enviar o tal documento para a empresa.
Outra dúvida é "e se o site deixar de existir antes de eu morrer, como é que eu fico?". A única resposta, no site, para essa pergunta, é só a promessa de que a empresa é forte e segura. Mas, como o próprio site faz questão de ressaltar, nem os mais fortes e saudáveis vivem para sempre.
n ffigueiroa@dpnet.com.br
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| Comentários dos Leitores |
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| "Não seria muito mais simples deixar o texto com alguém que
você confie para ser enviado no caso de sua morte?", Ana, por
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