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Edição de Quarta-Feira, 7 de Julho de 2004 
Brasil | Estudo sobre Aids elogia brasileiros
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BRASIL
Estudo sobre Aids elogia brasileiros
Unaids diz que aumento de casos é maior na Ásia
SÃO PAULO - O "Relatório Mundial sobre a Epidemia de Aids 2004", divulgado anteontem pelo Unaids (Programa das Nações Unidas em HIV/Aids), traz elogios à forma como o Brasil vem combatendo a epidemia da doença. Aproximadamente 600 mil pessoas são portadoras do vírus HIV no Brasil. Segundo o relatório, das 400 mil pessoas que têm acesso aos medicamentos anti-retrovirais no Mundo, 140 mil vivem no Brasil. O Governo brasileiro gasta, por ano, R$ 700 milhões no tratamento da Aids, sendo 60% desse valor apenas com a compra de medicamentos.

  "Essa política de oferecer tratamento universal aos portadores do vírus permitiu reduzir a mortalidade em 50% e fez o SUS (Sistema Único de Saúde) economizar cerca de US$ 2 milhões nos últimos cinco anos", afirma o diretor do Programa DST/Aids do Ministério da Saúde, Alexandre Grangeiro. O estudo também elogia os avanços brasileiros na área de prevenção à doença. O documento cita como ponto positivo o aumento do consumo de preservativos. Segundo o Programa Nacional de DST/Aidsdo Ministério da Saúde, esse aumento foi de 62% nos últimos 10 anos, passando de 150 milhões de preservativos consumidos em 1994 para mais de 600 milhões em 2003.

  Segundo o relatório, enquanto cresce o número de pessoas infectadas pelo vírus da Aids no Mundo, a Ásia, com 60% do população mundial, tem um dos maiores índices de aumento de infecções pelo HIV. "Não estamos avançando, de jeito nenhum", afirmou o médico Peter Piot, diretor-executivo do Unaids. "Nunca tanta gente foi infectada pelo HIV, nunca tanta gente morreu, e há uma globalização da epidemia fora da África", declarou. Cerca de 38 milhões de pessoas vivem com HIV/Aids, incluindo 5 milhões que foram infectadas no ano passado, segundo o relatório. A África subsaariana, com 25 milhões de casos estimados, ainda é a região mais afetada, com mulheres e jovens sendo os mais vulneráveis à infecção.

  A epidemia matou 20 milhões de pessoas em duas décadas. Dos estimados 6 milhões de pessoas que precisam de tratamento em países em desenvolvimento, apenascerca de 440 mil recebem os medicamentos. O relatório adverte que a expansão da epidemia na Ásia, onde 7,4 milhões de pessoas têm o HIV, pode ter implicações globais. "A Ásia está agora onde a África estava 15 anos atrás", declarou Piot. "O crescimento da epidemia vai depender em grande parte da reação dos países".

 
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