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Edição de Segunda-Feira, 5 de Julho de 2004 
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Opinião
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Boas notícias
Para contrastar as circunstâncias que hoje estão a empurrar o Brasil para trás - dívida pública excessiva, juros altos, carga tributária insuportável etc - o país segue crescendo, é verdade que a taxas modestas, graças, sobretudo, à expansão das exportações, à elevação da produtividade na produção do trigo (60,7%), sorgo (26,6%), milho (50,1%) e do algodão (178,9%) e graças, ainda, ao incremento do agribusiness e correspondentes exportações.

  É evidente que o aumento do Produto Interno Bruto seria maior, caso a economia nacional não estivesse debaixo de disciplinas refletidas no severo controle da inflação e no esforço em proveito do equilíbrio fiscal. O superávit nas transações correntes com o Exterior funciona para rebaixar a dívida externa a níveis civilizados, aumentar o crédito lá fora, onde o dinheiro é barato, e proporcionar a atração mais convincente para a conquista de novas inversões estrangeiras. De outro lado, a taxa de formação bruta de capital está saindo dos 17-18% do PIB para a casa dos 20%,fato que determina a diminuição da nossa dependência em relação ao dinheiro forâneo.

  As coisas boas que estão sucedendo sob as vistas de todos - mas nem sempre divulgadas com o destaque que em geral o pessimismo brasileiro costuma atribuir aos fatos desairosos ou prejudiciais -, não param na enumeração dos parágrafos anteriores.

  De tanto ser mencionada na Imprensa a relevância da agricultura nacional e dos respectivos excedentes exportáveis, imagina-se que apenas o agribusiness fica responsável pela expansão das exportações nacionais. Engano. Nos últimos dois anos, os bens manufaturados experimentaram um aumento da ordem de 22% no volume das exportações, contra a elevação de 10,6% nos produtos básicos. A lista de bens exportados não somente se avantaja, quanto se diversifica a olhos vistos. A variedade na mercancia é fundamental da mesma forma que a diversidade de mercado. O Brasil persegue ambas as coisas, atualmente. As circunstâncias de solo e clima favorecem o país, bem assim a nova percepção da realidade comercial do mundo adquirida por uma diplomacia mais atenta aos ganhos econômicos que aos punhos de renda.

  Não é só, portanto, agricultura da soja e pecuária do gado vacum. Mas o mundo aumenta o consumo da soja à razão de seis milhões de toneladas ao ano, e o fato exige dois milhões de hectares adicionais da lavoura em causa. Só o Brasil dispõe desta vantagem comparativa, sem que necessite de devastar um só hectare, na Amazônia. O custo de produção da carne bovina, aqui, é de US$ 1 por quilo. Nos concorrentes, esse custo é 23% mais alto na Nova Zelândia, na Argentina, 30%, na Austrália, 80% e nos Estados Unidos, 90%. Na Irlanda, esse custo chega a ser o triplo do dispêndio brasileiro. A atual (e acirrada) competição no mercado da carne de vaca somente é possível graças aos subsídios pagos pelo mundo afora e que o Brasil está combatendo com unhas e dentes na Organização Mundial do Comércio (OMC).

  As informações aqui resumidas datam do final da semana, quando a Associação Comercial do Rio de Janeiro, ao aniversariar, convocou ao denso debate ilustres figuras da economia, finanças, empresariado e Imprensa especializada, com a presença de figuras exponenciais do Governo.

  Vê-se que não é mais hora de chorar e reclamar, porém, de erguer a cabeça, arregaçar as mangas e trabalhar de sol a sol.

 
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