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Edição de Segunda-Feira, 5 de Julho de 2004 
Esportes | A festa do futebol participativo
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ESPORTES
A festa do futebol participativo
Campeonato organizado pela prefeitura do Recife está reunindo cerca de 18 mil jogadores de pelada
Fred Figueiroa
DA EQUIPE DO DIARIO
Quem passa uma tarde de domingo em um campo de várzea - qualquer um desses comuns a paisagem de qualquer cidade brasileira, com terra batida, poças de lama e um pouco de capim crescendo nas laterais - consegue entender porque este é o País do futebol. A verdadeira magia deste esporte tão enraizado à cultura do nosso povo fica bem mais explícita nesses palcos populares, onde os brasileiros-comuns transformam-se. Brasileiros como Nelson Alexandrino, o Pacheco, de 29 anos, office-boy de segunda a sexta-feira que se torna o principal atacante do Nacional da Madalena nos finais de semana. Ele é um dos quase 18 mil moradores do Recife que, a partir do último sábado, começou a disputar o Futebol Participativo - um campeonato criado pela Prefeitura que envolve 600 equipes amadoras do município.

  Pacheco estreou na competição ontem e fez o único gol da vitória do seu time, o Nacional, sobre os garotos evangélicos do Leão de Judá - uma equipe que nasceu dos encontros na Igreja Batista do Cordeiro. O jogo foi disputado no campo de areia do Bueirão da Torre e valia pelo grupo P da RPA 4. Em dois tempos de 35 minutos, praticamente não houve lances de perigo, nem mesmo jogadas de encher os olhos. Quando um ou outro jogador arriscava um drible mais ousado, logo a seguir esbarrava numa divida ou em um carrinho dos marcadores, quando não, na sua própria limitação técnica.

  A exceção dos 70 minutos da mais legítima pelada, foi o lance do gol do Nacional. Faltavam cinco minutos para terminar o primeiro tempo, quando Pacheco recebeu uma bola na entrada da área e, em um toque rápido e consciente, encobriu o goleiro Raulzinho. "Foi muito fácil. Uma jogada simples. Recebi a bola, vi que o goleiro era baixinho e dei por cima dele", explica o artilheiro do jogo.

  Como a maioria dos que estavam ali, Pacheco também já sonhou em ser um jogador profissional. Quando tinha 23 anos, passou 15 dias fazendo testes no Recife, mas acabou desistindo. "Não tem condições de treinar todo dia e não receber dinheiro", lembra Nelson que acabou deixando o sonho de lado para ganhar a vida como ofice-boy.

  Quando a partida já estava nos acréscimos e o time do Leão de Judá pressionava em busca do empate, a defesa do Nacional isolou a bola que acabou ultrapassando o alambrado do campo e "sumindo" numa das ruas da Vila de Santa Luzia. O jogo ficou parado por mais de dez minutos até que o admnistrador do campo conseguisse arrumar uma outra bola. Mas já era tarde para mudar o placar da partida. Fim do jogo. Fim do domingo. Hora de voltar para vida real. E os jogadores de ontem voltam a ser os trabalhadores e estudantes de hoje. São novamentes cidadões-comuns do Recife - mas só até o próximo fim de semana.
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