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Edição de Segunda-Feira, 5 de Julho de 2004 
Esportes | Altitude já atrapalha a Seleção Brasileira
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ESPORTES
Altitude já atrapalha a Seleção Brasileira
Jogadores sentiram falta de ar e o primeiro coletivo do Brasil em Arequipa foi realizado em ritmo lento
AREQUIPA - Houve falta de ar e de bom futebol no primeiro coletivo da Seleção Brasileira, desde que deu início há sete dias aos treinos visando à disputa da Copa América. Os titulares venceram os reservas por 1 x 0, gol de Kleberson, e vários atletas reclamaram do cansaço e do desgaste, provocados pela carga forte de exercícios físicos nos últimos dias e pelos efeitos da altitude de 2.350 metros de Arequipa. Por causa disso, o coletivo foi realizado em ritmo lento.

  O goleiro Júlio César desfalcou o time principal e Júlio Baptista, a equipe reserva. Ambos estão contundidos e foram substituídos por jogadores do Atlético Universidad, clube da Primeira Divisão do Peru. O treino agradou ao técnico Carlos Alberto Parreira, que já programou mais dois coletivos até a estréia do Brasil na competição, quinta-feira, contra o Chile.

  "Adriano e Luís Fabiano criaram chances de gol. Mas hoje (ontem, já sabíamos, era o dia crítico. Todos estavam com as pernas pesando toneladas", disse o treinador. Ele se referia a declarações dos preparadores físicos Moracy Sant'Anna e Paulo Paixão, de que o terceiro dia em Arequipa - a delegação chegou à cidade na sexta-feira - seria o mais complicado para os atletas, por causa de reações previsíveis do organismo à altitude.

  "Por isso, pedi que evitassem divididas e guardassem energia para o dia do jogo". O atacante Adriano deixou a desejar no treino e depois explicou porque não esteve bem. "Não estou habituado a jogar em cidades tão altas. Nos primeiros minutos, senti falta de ar".

  O meia Renato também atribuiu à altitude seu desempenho discreto, assim como Kleberson, outro que normalmente rende mais nos treinos. De acordo com Parreira, a equipe vai poder mostrar um futebol mais competitivo somente na terceira rodada, dia 14, contra o Paraguai, quando, acredita, os problemas relacionados aos 2.350 metros de Arequipa estarão superados.

  O treinador quer o máximo possível de posse de bola na estréia, para evitar correria desnecessária. "Se tiver de ir atrás do adversário o tempo todo,estaremos perdidos". Dessa forma, é fácil prever que o Brasil vai procurar tocar a bola o quanto puder, até mesmo em seu campo, para que não haja muito desperdício de energia. Ele paralisou o treino algumas vezes para ensaiar cobranças de escanteio e de faltas de ataque. O cobrador sempre era Alex, e os zagueiros Juan e Luisão, nessas situações, avançavam para o ataque a fim de tentar o gol de cabeça.

  Parreira orientou o atacante Adriano a buscar mais as jogadas pelo lado esquerdo, abrindo possibilidade de triangulações com Gustavo Nery e Edu. Assim, Luís Fabiano deveria ocupar mais o meio e o lado direito do ataque. Ele também testou a posição dos defensores titulares em cobranças de escanteio e de faltas laterais do time reserva. Reclamou duas vezes seguidas com os marcadores, que deixaram os adversários livres para cabecear. "Não foi um coletivo ótimo nem ruim. Apenas razoável", definiu.
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