MAGNY-COURS - Há coisas que só gênios fazem. Michael Schumacher fez ontem. Largando em segundo lugar, contra 70 mil torcedores franceses e todo o esforço de Renault e Michelin para ganhar em casa, o alemão venceu o GP da França, em Magny-Cours, décima etapa da F-1. Foi sua nona vitória na temporada e uma das mais brilhantes entre as 79 da carreira.
Schumacher seguiu à risca uma idéia sugerida por Luca Baldisseri, engenheiro de Rubens Barrichello. Mudou de estratégia no meio da corrida. E tornou-se o segundo piloto da história a vencer fazendo mais de três pit stops. Só ficou atrás de outro mito, em outra corrida mítica: em 1993, Ayrton Senna largou em quarto lugar em Donington, na Inglaterra, sob chuva, e venceu a prova após parar cinco vezes nos boxes.
"Decidimos mudar a estratégia depois do meu segundo pit. Eu não tinha nada a perder. E, sem assumir riscos, não há diversão", disse o hexacampeão, ao lado de Fernando Alonso, segundo colocado. Barrichello, companheiro do alemão, completou o pódio.
Na pole pela primeira vez no ano, Alonso largou bem e manteve a ponta, seguido por Schumacher. Com um ritmo muito forte, na casa de 1min16s, os dois se distanciaram do segundo pelotão. Até então, a estratégia de ambos, como da imensa maioria dos pilotos, era fazer três pit stops.
Sem conseguir se aproximar o suficiente para ameaçar Alonso, Schumacher foi para os boxes, na 11ªvolta. Com mais gasolina no carro - e, portanto, mais pesado -, o espanhol parou na 14ª.
As posições não se alteraram. Na 29ªvolta, Schumacher voltou aos boxes. Alonso parou na 32ªe caiu para segundo, mas com gasolina para ficar mais na pista. Percebendo que, continuando na estratégia original, a vitória seria muito difícil, a Ferrari então decidiu agir. Sugeriu para Schumacher uma tática arriscada: parar uma vez a mais nos boxes.
A idéia era andar com o carro mais leve e aproveitar para voar na pista. Mas o plano só funcionaria se Schumacher conseguisse abrir 20 segundos para Alonso - assim, poderia fazer o quarto pit e voltar à frente do adversário. Funcionou, como sempre funciona quando o alemão é instado a acelerar: fez 20 voltas na casa de 1min15s e, na 57ª, já tinha 21s790 de folga. Parou no giro seguinte e saiu dos boxes com a vitória.
Com mais dois triunfos, o hexacampeão vai igualar o recorde de vitórias numa mesma temporada: 11, dele mesmo, em 2000. Há coisas que só gênios fazem.
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