Últimas Diversão Comunidade Tecnologia Esportes Turismo Quem Somos
Diario de Pernambuco TVGuararapes Radio Caetés Rádio Clube
Edição de Quarta-Feira, 16 de Junho de 2004 
Viver | Literatura em festa Bloomsday
   DIARIO
   Índice Geral
   Expediente
   Ed. Anteriores
   Assinaturas
   História
   CADERNOS
   Política
   Brasil
   Mundo
   Economia
   Esportes
   Vida Urbana
   Viver
   SUPLEMENTOS
   Revista da TV
   Empregos
   Viver Mulher
   Viagem
   Informática
   Carro
   Imóveis
   Saúde
   Diarinho

    SERVIÇOS

   Loterias

VIVER
Literatura em festa Bloomsday
Data é comemorada ao redor do Mundo em reverência ao romance Ulisses, de James Joyce (1882- 1941)
Augusto Pinheiro
Da equipe do DIARIO
Há exatos cem anos, o personagem Leopold Bloom, no romance Ulisses (1922), do irlandês James Joyce (1882-1941), realizou seu périplo por Dublin, capital da Irlanda, cidade retratada pelo escritor de maneira transcendental, mas, ainda assim, realista.

  Como parte da mística em torno do livro, o dia 16 de junho foi batizado de Bloomsday, data comemorada por amantes da literatura do mundo inteiro. Os eventos ganham cores mais fortes na Irlanda, país-natal do escritor, mas estão espalhados pelo globo. No Recife, acontece hoje o 2º Bloomsday de Pernambuco, na sede da UBE - União Brasileira dos Escritores (leia mais no texto abaixo).

  Toda a ação do livro se passa em 18 horas e está dividida em 18 capítulos, em mais de 800 páginas. A obra, considerada uma das mais importantes da literatura mundial, inovou a linguagem e transgrediu a narrativa, com a técnica do fluxo de consciência - utilização de elementos do inconsciente para tratar de questionamentos internos.

  Joyce começou a fazer rascunhos para o livro em 1902, aos 20 anos. "Ele estava suficientemente absorto em si mesmo para reunir todas as suas epifanias e começar a organizá-las para criar anotações para Ulisses", diz texto do site do Centro James Joyce. Mas começou efetivamente a escrevê-lo em 1914, logo após a publicação de Retrato de um Artista Quando Jovem, e o publicou em 1922.

  "Ele inovou o monólogo interior, utilizando uma linguagem que, além de não-linear e não-lógica, é simbólica e metafórica", atesta Raimundo Carrero, consagrado escritor pernambucano que se diz influenciado pelo trabalho de Joyce.

  Para o escritor Vital Corrêa de Araújo, presidente da UBE-PE, o romance é um divisor de águas. "É vanguarda até hoje, ninguém conseguiu superá-lo", comenta. "Alterou a língua inglesa e influenciou a poesia moderna, com seu texto abstrato e simbolista.

  Como o próprio título sugere, Ulisses traça um paralelo com a grega Odisséia, de Homero, que narra as aventuras de Ulisses na tentativa de retornar para a mulher, Penélope, e o filho, Telêmaco, em Ítaca. Considerado de leitura difícil, Ulisses traz frases sem pontuação, referências clássicas, trechos de canções e até mesmo diagramas.

  Além de Leopold Bloom, vendedor e judeu não-praticante, povoam as páginas do livro Stephan Dedalus, um jovem intelectual arrogante, e Molly, mulher de Leopold, cujo monólogo, no último capítulo, é um dos mais famosos trechos da obra de Joyce. "São 50 páginas sem ponto nem vírgula, com o inconsciente do jogo interior", diz Carrero.

  O livro chegou a ser considerado pornográfico e proibido na Inglaterra e nos EUA, segundo explica Vital, por conter cenas sexuais explícitas. "Ele também descreve outras atividades fisiológicas".

  Apesar de todas as comemorações na capital irlandesa, Joyce mantinha uma relação de amor e ódio com Dublin e deixou a cidade definitivamente em 1912 quando um editor destruiu a primeira edição de seu livro de contos Dublinenses.

PSICANÁLISE - A partir dos estudos que o psicanalista francês Jacques Lacan fez da obra de Joyce, o autor também virou uma febre entre os profissionais dessa área. "Lacan dedicou um seminário, chamado O Sinthoma, a ele", explica Ana Lúcia Falcão, psicanalista e uma das organizadoras do Bloomsday no Recife. Ela e colegas do instituto Intersecção Psicanalítica do Brasil se debruçam sobre os escritos e a vida de Joyce há quatro anos. "Lacan diz que todo mundo tem uma parte de loucura dentro de si. E ele descobre que Joyce faz da doidice dele uma produção literária, assim ele amarra a loucura a partir da escrita".

  As comemorações também partem do setor editorial. A Casa da Palavra lança semana que vem Shakespeare & Company, autobiografia de Sylvia Beach, amiga e admiradora de Joyce, que relata, entre outras coisas, os percalços para a primeira publicação de Ulisses.

  Segundo Vital, após terminar o livro, Joyce teria dito ao poeta Ezra Pound que "cem anos seriam pouco para estudar e compreender seu texto". Mas, se depender do interesse em torno da obra do escritor, não vai faltar interessados em furar esse "bloqueio".
LEIA MAIS

Letras e psicanálise


 
        Escolha aqui um canal do Pernambuco.com:
quem somos | contato comercial | sua opinião sobre o portal
Copyright 2003 - Pernambuco.com | todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo desta página sem a prévia autorização | faleconosco@pernambuco.com