O deputado Pedro Eurico deveria estar com a cabeça em Londres quando resolveu criar o seu projeto Garganta Seca. Na cidade paulista de Diadema, não, que é muito pouco para justificar uma inspiração tão desmantelada. O parlamentar não levou em consideração as pequenas diferenças que separam carrancudos londrinos - obedientes e acostumados desde o útero materno a cumprir leis - de pernambucanos, que apostam no improviso como forma de sobrevivência. Brasileiros, de um modo geral. Além do mais, as causas da violência são muitas e complexas, não se dissolvem na decisão de fechar biroscas após as 23h. Como diriam, descontraidamente, os bambas no assunto: o buraco, infelizmente, é mais embaixo. Então, concluindo o óbvio, o projeto não tem como dar certo, e a caneta do governador Jarbas Vasconcelos deverá dizer o mesmo, devolvendo o fôlego aos comerciantes de bebidas. Eles pararam de respirar, ontem, diante da possibilidade de virar londrinos sem nem saber dizer Yes. Imaginaram-se, todos, após as 23h, oferecendo água, refresco e cajuína a um batalhão de moscas, enquanto a multidão de turistas e ex-fiéis freqüentadores se reunia para a farra, em plena praça pública. Será que isso pode? Pois é, o projeto do deputado não diz, foi aprovado assim mesmo, com uma série de interrogações, com conteúdo mais oco do que pastel japonês.
Curtas
A Fundação Altino Ventura lança, às 8h, o projeto Enxergando Através das Mãos. Noventa crianças passam por avaliação oftalmológica e depois participam de atividades artísticas.
A Convenção dos Direitos da Criança no Brasil foi o motivo que levou a coordenadora-adjunta do Gajop, Valdênia Brito, a Genebra, na Suíça. Ontem, apresentou relatório alternativo da sociedade civil sobre a implementação.
Para pior Moradores da comunidade de Roda de Fogo estão vivendo ao contrário a máxima "há males que vêm pro bem". Antes, quando precisavam marcar consulta médica, só tinham que ir à sede da Comissão de Saúde Independente do bairro. Com a implantação do novo modelo de atendimento pela PCR, são obrigados a aguardar a visita dos agentes de saúde, que demoram a aparecer.
Sardinhas Em Roda de Fogo, a situação piora ainda mais se o cidadão precisa de exames: só são distribuídas 15 fichas por semana, com o agravante de que, às quartas-feiras, dia da entrega delas, a sala da Comissão de Saúde fica parecendo lata de sardinha. Com tanta dificuldade, moradores já estão procurando assistência em bairros vizinhos.
Como assim? A Prefeitura do Recife parece o criador contra a criatura. Fez milagres no trânsito de Boa Viagem, com a inversão, e agora transforma a solução em caos. Na noite de quarta-feira, o recapeamento de uma das faixas da Domingos Ferreira obrigou os motoristas a tirar a poeira do repertório de pragas. Errou no horário e no número de agentes da CTTU controlando a bagunça.
Via Internet As 56 solicitações de segunda via da Carteira Nacional de Habilitação pela Internet, em uma semana, animam a administração do Detran. O novo procedimento faz parte das tentativas de descentralização dos serviços, pois a casa quer se livrar de números assombrosos. Só para dar uma idéia: por ano, 71 mil pessoas procuram o Detran em busca dessa mesma segunda via.
Visão O deputado Bruno Araújo queima neurônios para definir projeto em torno da realização de exame na rede pública de saúde destinado a evitar o aumento de casos de glaucoma e catarata infantil. A proposta entra em debate terça-feira, durante audiência pública, às 10h, na Comissão de Justiça.
De crocodilo As empresas de telefonia fixa só faltam chorar, explicando o que significaria para a saúde financeira delas a retirada do pagamento da taxa básica das contas. Mas um batalhão de instituições, incluindo o Procon-Recife, entende que são legítimas lágrimas de crocodilo. Hoje, este mesmo Procon estará recolhendo assinaturas, na Praça da Independência, para sensibilizar os senadores.
Gol contra Um delegado prende uma vítima de estupro que agiu em legítima defesa; o outro, embriagado, dá tiros para o alto e anuncia assalto contra um grupo de estudantes. E ainda tem gente sem entender por que os índices de violência teimam em deixar Pernambuco naquele incômodo primeiro lugar.
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