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Quando suar vira caso de doença
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Livro defende que hiperidrose tenha cirurgia paga pelo SUS |
| Juliana Aragão DA EQUIPE DO DIARIO |
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Necessária para diversas funções orgânicas, como o controle da temperatura corporal e a regulação hídrica, a transpiração pode significar um problema para cerca de 1,7 milhões de brasileiros. Mãos úmidas, sudorese incontrolável nas axilas, tórax e cabeça e até a formação de poças de suor embaixo dos pés estão entre os sintomas da hiperidrose, classificada pelos médicos como uma atividade anormal das glândulas sudoríparas provocada por uma disfunção no sistema nervoso de causa ainda desconhecida.
Embora seja uma condição benigna - já que não oferece risco de morte - a hiperidrose interfere nas atividades normais e na vida social dos pacientes por tornar complicadas tarefas rotineiras como escrever, apertar a mão de outra pessoa e até dirigir. Essa série de constrangimentos vividos por 31 anos motivaram a jornalista gaúcha Regina Diehl, 34, a escrever o livro Suando em Bicas, em que conta sua saga em busca da cura para o problema.
"Desde menina, a hiperidrose me atrapalhava na escola e eu era obrigada a levar toalhinhas para escrever sem manchar os papéis. À medida em que fui crescendo, a coisa foi piorando e interferindo nas minhas relações sociais e profissionais". Batizada de simpatectomia, a cirurgia capaz de resolver o mal, pôs fim ao Sofrimento aos 31 anos de idade. Além de relatar a trajetória de Regina com a doença, o livro defende que a cirurgia seja feita através do Sistema Único de Saúde. O fim do problema para milhares de pessoas viria de forma simples, a através da aquisição de bisturis ultrassônicos - necessário para a realização da simpatectomia - pelos hospitais públicos. Na rede particular não há obstáculos. Como a hiperidrose está classificada no Código Internacional de Doenças (CID), o seu tratamento é, em regra, pago pelos planos de saúde. "Definitivamente este não é, nunca foi e jamais poderá ser considerado um procedimento estético", sustenta o médico José Milanez Ribas, um dos consultores do Suando em Bicas.
CLÍNICAS - O Hospital das Clínicas, da Universidade Federal de Pernambuco, é oúnico do Norte/Nordeste a realizar gratuitamente o procedimento. Desde janeiro de 2003, já fez mais de cem intervenções. Para o chefe de cirurgia torácica do HC e responsável pela Clínica do Suor do Real Hospital Português, Cláudio Amaro Gomes, estima-se que em Pernambuco haja entre 70 e 80 mil pessoas portadoras da doença. "A fila de espera no Hospital das Clínicas já tem 305 pessoas".
Para Gomes, o advento da videotoracoscopia (procedimento guiado por microcâmeras) e o aprimoramento das técnicas de ressecção da cadeia nervosa simpática causaram um boom na procura pela cirurgia. "Desde agosto de 2002 até abril deste ano, eu já operei 480 pessoas, entre eles um guitarrista que levava choques porque encharcava de suor", relata.
Dependente de toalhinhas e lenços absorventes para evitar o gotejamento em pés e mãos desde criança, a estudante de Fisioterapia Alexandra Albuquerque, assim como Regina Diehl, ficou sabendo que o seu suplício tinha cura por meio de uma reportagem. Ao saber que duas amigas já tinhamse submetido ao procedimento com sucesso, também se candidatou a uma simpatectomia em outubro passado. "É uma sensação inexplicável. Eu evitava cumprimentar as pessoas. Hoje, eu me sinto maravilhosa", comemora.
Comentários dos leitores
"Sou portadora da hiperidrose, li a reportagem e fiquei muito feliz em saber
que existe cura. Tenho 25 anos e desde a adolescência tenho muitos problemas
de relacionamentos pois me envergonho muito de suar.", Jeane Maria de Souza,
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