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Edição de Sexta-Feira, 11 de Junho de 2004 
Mundo | Premiê resolve divergência com curdos
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MUNDO
Premiê resolve divergência com curdos
Extremista do Iraque ameaça matar, até sábado, dois motoristas de caminhão - um egípcio e um turco
BAGDÁ - O primeiro-ministro nomeado para o Iraque, Iyad Allawi, anunciou ontem ter resolvido as divergências sobre a autonomia da minoria curda, que ameaçava não integrar o governo interino cuja posse será no dia 30. "O problema foi resolvido", afirmou Allawi, depois de contatos com os principais lideres da população curda, concentrada no norte do país. Ele concordou em manter o compromisso com os termos de uma Constituição provisória elaborada em março pelo Conselho de Governo iraquiano, criado pelas forças americanas de ocupação.

  Essa Carta mantém a atual autonomia desfrutada pelo curdos e lhes dá poder de veto sobre leis. Segundo um porta-voz de Allawi, ele acatará a Constituição interina até a realização de eleições em dezembro ou janeiro, conforme prevê o cronograma para a devolução da soberania ao país, aprovado terça-feira pelo Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

  Os líderes xiitas, em especial o influente grão-aiatolá Ali Husseini al-Sistani, pressionaram o CS para que não fizessem menção à Constituição interina. Por isso, os dirigentes curdos temiam perder os poderes adquiridos após a Guerra do Golfo (1991). Depois do conflito, a região curda ficou na prática fora do controle do governo central iraquiano.

  "Estamos felizes por ver que o primeiro-ministro reafirma o compromisso", disse o líder da União Patriótica para o Curdistão, Barem Saleh, que demonstrou cautela, por temer que os xiitas voltem atrás no compromisso com a autonomia.

  Enquanto isso, milícias xiitas tomaram ontem por algumas horas o controle de uma delegacia de polícia de Najaf, ao sul de Bagdá. Os confrontos deixaram pelo menos quatro iraquianos mortos e 13 feridos. Os militares dos EUA não se envolveram no enfrentamento.

  Foi o primeiro ataque registrado em Najaf desde que o líder das milícias, o religioso Muqtada al-Sadr, concordou na semana passada em retirar seus combatentes dessa cidade sagrada se as tropas americanas fizessem o mesmo. Com esse acordo, a segurança teria de passar às forças iraquianas. Os partidários de Al-Sadr saquearam a delegacia e puseram fogo nos carros da polícia. Horas depois, as milícias se retiraram.

VÍDEO - Ainda, ontem, quatro turcos seqüestrados no Iraque pela guerrilha que resiste à ocupação do país foram mostrados em um vídeo entregue a emissoras árabes de televisão.  

Eles teriam sido feito reféns porque trabalhavam para empresas americanas. No total, sete cidadãos da Turquia estão sob o poder de rebeldes que se identificam como militantes islâmicos. Para libertá-los, eles exigem que as empresas turcas deixem de fazer negócios com as forças de ocupação e retirem seus funcionários do Iraque.

  Enquanto isso, outro grupo extremista ameaça matar, até a tarde de sábado, dois motoristas de caminhão - um egípcio e um turco - seqüestrados na semana passada.

  

PETRÓLEO - Por outro lado, segundo o premiê, "combatentes estrangeiros e terroristas" de causarem ao país um prejuízo superior a US$ 200 milhões, nos últimos sete meses, com sabotagem e ataques à infra-estrutura petroleira "a fim de solapar a confiança dos iraquianos". Segundo Allawi, foram registrados 130 ataques a oleodutos do Iraque, dono da segunda maior reserva do mundo.

 
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