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Atualizado em 09|06|2004 
Informática | Experiência real deve embasar fantasia
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Informática
Experiência real deve embasar fantasia
Psicólogos alertam para o perigo de transformar o desejo sexual numa atitude exclusivamente virtual
O que têm em comum os longas-metragens O Passageiro de Futuro (The Lawnmower Man, 1992), O Vingador do Futuro (Total Recall, 1990) e Minority Report, A Nova Lei (Minority Report, 2002)? Em todos, o tema central é a realidade virtual (RV) e, mesmo de formas diferentes - e em doses diferentes - os três abordam seu uso para o sexo. No primeiro deles, na cena mais contundente dos três filmes, o personagem Jobe (Jeff Fahey) leva sua namorada ao laboratório e, conectados às máquinas de RV, os dois transam separados graças ao suporte sensorial promovido pela tecnologia. Viagem do diretor do filme? De jeito nenhum.

  Para a psicóloga Luciana Nunes, Mestre em Saúde Mental pela Nova Southeastern University da Flórida e pesquisadora da antropologia no universo virtual, as viagens virtuais devem remeter à experiência real. "Visão, audição, tato e olfato, utilizados em conjunto, podem aumentar enormemente a nossa percepção nos exercícios de comunicação e entretenimento. Nossos sentidos, expandidos por novas tecnologias como a RV, podem captar estímulos tanto do mundo real como do ciberespaço. O nosso corpo reage ao que percebemos, indiferente que seja uma situação real ou não. Na psicologia, não importa se é real ou imaginário. O que importa é o que é recebido ou percebido pela pessoa que vive aquele momento".

  Luciana ressalta que estas experiências no mundo virtual têm muito mais sentido quando remetem a situações que já foram vividas pelo indivíduo. É o que ela chama de "cadeia de eventos emocionais". "Uma foto de um nu será mais prazerosa de se apreciar para alguém que algum dia já tocou intimamente um outro corpo, ou da mesma forma, uma música vai remeter a alguma situação de prazer ou não, se nela, no passado, houve uma conexão representativa dentro da cadeia de eventos emocionais". Sendo assim, se certos sons e imagens de um filme nos remetem a determinadas lembranças e sentimentos, a presença de odores e mudanças climáticas, por exemplo, numa sala de cinema que não existe até agora, pode amplificar ainda mais nossapercepção do que se passa na tela.

  Já o psicoterapeuta Cássio dos Reis, no seu artigo O Sexo Virtual: a nova era do sexo, diz que nós vivemos hoje uma nova modalidade sexual. "O domínio do computador por um número cada vez maior de pessoas, aliando as facilidades dos envolvimentos a distância e a privacidade oferecida pela internet fazem com que os desejos e fantasias se expressem de forma explícita e, ao mesmo tempo, sigilosa". Segundo ele, pesquisas revelam que os Estados Unidos são hoje detentores de mais de dois milhões de pessoas viciadas em sexo virtual. "São pessoas que chegam a navegar entre 15 e vinte horas por semana nos sites de sexo. No Brasil, não temos dados estatísticos, mas certamente somos também detentores de um número respeitável de viciados em sexo virtual", preocupa-se.

  De acordo com ele, o que acaba acontecendo é que os relacionamentos pré-existentes se tornam tão frágeis que muitos casamentos e relações estáveis acabam se desfazendo. "As pessoas criam uma fantasia tão mágica com relação à necessidade da própria sexualidade que o sexo se transforma em excitamento tão imediato que o simples fato de estar frente ao computador, pode desencadear um estímulo sexual enorme. São homens e mulheres que vivem as próprias fantasias sexuais através de imagens e simulações, que levam a uma excitação tamanha que as torna sexualmente satisfeitas, eliminando assim, a sensação da necessidade real do contato sexual", explica.

  Assim, a pessoa passa a viver a própria sexualidade de forma virtual, sem o contato com o outro, numa forma velada de masturbação, aparentemente com a imagem do outro. De acordo com o psicoterapeuta, o sexo pode e deve ser divertido e excitante, e a fantasia é sua grande aliada para um excitamento agradável e prazeroso. "Mas o carinho, o toque, a comunicação e a atmosfera da relação com o outro é que são a grande solução para a realização sexual, sem falar do pleno prazer proporcionado no contato com o parceiro. Transformar o desejo e desenvolvimento sexual numa exclusiva atitudevirtual, poderá convergir mais cedo ou mais tarde em transtornos conseqüentes, tais como impotência ou apatia sexual", alerta. (I.M.)

 
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