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Tendências que vieram para ficar
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Matérias-primas transparentes, com tecnologia antigordura; mobiliário emborrachado, puro látex ou similares; e os metalizados dominam a temporada |
Phelipe Rodrigues Da equipe do DIARIO |
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A Feira de Milão representa para os arquitetos e decoradores, o mesmo que as fashion weeks são para designers de moda. A partir do evento, que acontece todos os anos em abril, os profissionais da ambientação e as empresas definem o que, de fato, vale destacar com mais ênfase. Agora, depois que os profissionais do setor já fizeram suas apostas em cores e em novos materiais apresentados para a temporada 2004/2005, decidimos perguntar a três deles no que vale investir.
No topo da lista aparece a transparência de matérias-primas como o vidro e o plástico. "Cadeiras, sofás e até cozinhas inteiras são desenvolvidas com esse aspecto", antecipa o arquiteto Turíbio Santos, que freqüentou a Feira pela primeira vez. Segundo ele, a tendência para brincar de lar invisível fez a indústria do mobiliário desenvolver até tecnologias especiais para gordura e poeira não embaçar bancadas ou pisos envidraçados.
"Já podemos ver algumas fábricas que trazem aquelas peças que dispensam a limpeza constante, pedindo apenas uma manutenção anual", completa. O designer Raphael Benviniste, da loja Forma, concorda com a observação. "Desde o ano passado já percebíamos a entrada forte dos transparentes no mercado. Assim, as cadeiras Ghost, do francês Phillipe Starck ganharam lugar privilegiado em nossas vitrines". Dessa vez, ele decidiu até fazer uma intervenção na Ghost, estampando flores no que batiza de cadeira Mademoiselle.
A Forma também foi responsável pela antecipação do mobiliário de borracha aqui na cidade. "Vários estofados apresentam o látex de verdade ou algo que faça lembrá-lo. As vantagens em relação ao estofamento tradicional é conforto e limpeza fácil", comenta Raphael. Um dos maiores pesquisadores dessas invenções é um italiano chamado Piero Lissoni, que esteve no Salão dos Novos e, daqui a pouco tempo, será tão citado entre os designers quanto Starck.
ORGÂNICO - Sua cabeça inventiva oferece ainda objetos menores na estética emborrachada, ou tudo empapelado. "Bancos, poltronas e outros artigos dobráveis utilizam o papel em sua composição. E em qualquer uma dessas matérias, o traço orgânico demonstra que experimentalismo só ficou possível se trouxer ergonomia apurada", explica Turíbio. Outra observação é a respeito do binômio decoração X fashion. O bicolor, um reflexo do Chanel Look (ver matéria de capa), está tão em alta quanto as estampas dos anos 60, criadas em verde e marrom por Pierre Cardin.
Os metalizados que a Fendi e Louis Vuitton trazem ao verão europeu, agora em junho, estão em toda parte. "Na Formatex, a alta-costura, a couture, é o que tem imperado na decisão pelos tecidos. Eles não demonstram ostentação. Apenas satisfazem um desejo de comprar menos, mas do melhor", argumenta a empresária e diretora de estilo da marca, Regina Strumpf. Ela lembra que uma casa bem decorada não é, necessariamente, aquela que se apresenta na última tendência.
"A escolha do décor deve ser feita pela emoção. O que nos fez oferecer como tendências características multiculturais. Nossas ofertas vão dos borbulhantes anos 20, passando pelo swing dos 60, à elegância dos 40 e 50 até os revolucionários 70", informa Regina. Não faltam veludos, tweeds, tramas tecnológicas e, sobretudo, florais e xadrezes.
Os motivos com rosas servem para combinar com peças modernas, como o Josh ou Scott, com itens em estilo provençal. "A Provence dos acabamentos despojados e envelhecidos guiou uma grande parte do nosso mobiliário, que passa pelos três tipos de Luís da França: o XIV, XV e XVI", conta a empresária. Essa sugestão não implica que a casa deverá ser temática. "Ao contrário. A idéia é usá-los para misturar tudo, com critérios. Afinal, combinar tudo está meio fora de propósito, porque ninguém mora na Versailles do século XVII. Nem na Disney", finaliza.
Serviço
Formatex - 3465.5454
Turíbio Santos - 3424.2244
Forma - 3326.7744
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