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Mea culpa
Finalmente, o jornal novaiorquino The New York Times despojou-se da condição de órgão todo-poderoso da Imprensa norte-americana e internacional, para reconhecer em editorial firmado pela totalidade de seus editores que acolheu em suas páginas informações e notícias inexatas sobre a briga entre os presidentes Bush e Hussein, entre os Estados Unidos e o Iraque.
O jornal teria assim divulgado matérias falsas a respeito de supostos arsenais iraquianos que influenciaram a guinada da opinião pública norte-americana em favor da ocupação daquele país pelas tropas do Tio Sam. Essas matérias, diz agora o The New York Times, não foram apuradas pelas editorias com o rigor necessário, nem foram na oportunidade questionadas pelo jornal como deveriam ter sido. "Hoje sabemos que a direção deveria ter sido mais agressiva (no sentido de exigente) no reexame das afirmações, quando novas evidências emergiram dos fatos".
Em suma, o jornal pede desculpas aos leitores pela divulgação de notícias sobre o Iraque que se provaram falsas.
O mea culpa do diário novaiorquino repercutiu no mundo inteiro, a ponto de afastar da primeira página de inúmeros jornais famosos matérias e notícias que normalmente ganham o privilégio do destaque principal. No Brasil, o assunto prendeu a atenção dos meios de comunicação em massa igualmente, e não foi apenas porque o Presidente brasileiro sofreu dele, há poucos dias, um ataque inusitado e totalmente fora de propósito graças a uma nota escrita pelo respectivo correspondente no Rio de Janeiro.
Mas sejamos altos. O disparate contra o Presidente Lula e a honorabilidade governamental do Brasil não pode obscurecer que as desculpas pela falsidade de seu noticiário levam ao colo do The New York Times merecidos créditos e, com muita probabilidade, acham-se aptas a receber, nos Estados Unidos, o beneplácito dos leitores. O jornal esclareceu que as notícias sobre a existência de armas de destruição em massa no Iraque e as ligações desse país com o terrorismo internacional continham informes que não foram questionados pelos seus editores e não tiveram, também, um acompanhamento adequado na sua elaboração. "Em alguns casos - observou o influente diário novaiorquino - as informações que então já eram controvertidas, e que agora parecem questionadas, foram insuficientemente qualificadas".
Nas desculpas do jornal estadunidense não há uma linha sequer que fale na humildade, mas eis um ponto subentendido que de certa forma ilumina o histórico mea culpa. Todos temos urgente necessidade de inúmeros supletivos da conduta, porque abunda em todas as categorias e profissões quem se destaque pela arrogância com que escamoteia a própria falibilidade.
É também um serviço e um estímulo ao exercício da Imprensa nos dias de hoje tão conturbados pelo cruzamento de tantos interesses. A Imprensa exige rigorosamente honestidade no apurar, escrever e transmitir. A exigência, diga-se bem claramente, não é doutrina do diário arrependido em boa hora, é tese de quem, a cada sol que nasce, jura dizer a verdade e somente a verdade, aindaque contrarie a força de poderosas circunstâncias que contrariam o bem público verdadeiro.
Big brother
Márcio Cotrim DIRETOR EXECUTIVO DA FUNDAÇÃO ASSIS CHATEAUBRIAND
A expressão surgiu muito antes da bisbilhotice do programa da Rede Globo. Ela é do livro 1984, do escritor inglês George Orwell. Nele, um ditador exerce controle total sobre a população de um país fictício por meio de vigilância eletrônica praticada por uma infame polícia do pensamento que fuça tudo e todos o dia inteiro, em toda parte. "O Grande Irmão está de olho", é a aterradora advertência, monstruoso exemplo de invasão da privacidade.
O programa de TV, de muito êxito no Brasil, na verdade surgiu na Holanda e logo foi reproduzido em outros países. O espírito, embora brincalhão, era o mesmo: monitorar tudo o que se faz em determinado recinto durante as 24 horas do dia. Acintoso voyeurismo. Entre nós, a criatividade inventou prêmios e badalações que mantiveram nas alturas o índice de audiência.
Mês passado foi lançado nos Estados Unidos um programa na mesma linha, só que com a rotina diária, pasmeM, de um chiqueiro! O que fazem os porquinhos ali da manhã até a noite, já pensou? O nome não poderia ser mais sugestivo. Como em inglês porco é pig, ele se chama Pig Brother. Possivelmente, uma porcaria de programa...
Guinness - Marca de uma cerveja preta muito forte. Deriva do nome do cervejeiro irlandês Arthur Guinness que, em 1759, comprou uma cervejaria em Dublin, capital do país, e aí produziu a cerveja cuja fama até hoje corre mundo. A bebida virou coqueluche nos pubs britânicos. Estimulada por ela, a conversa provocava acaloradas discussões e controvérsias. Para tirar tantas dúvidas, a cervejaria criou em 1955 o Livro Guinness dos Recordes, que documenta as mais inacreditáveis façanhas. Depois da Bíblia, é o mais vendido no mundo - um recorde que, obviamente, merece destaque em suas próprias páginas...
Cifrão - A palavra vem do árabe sifr, vazio, zero mas, como símbolo monetário, sua história é curiosa. No século XVI, a Espanha tinha uma moeda chamada pieza de ocho, peça de oito, porque valia oito reales. Dela derivou o cifrão a partir do algarismo oito, que recebia a superposição de dois traços verticais: s. Eles representavam o Estreito de Gibraltar, as mitológicas Colunas de Hércules. Ali, acreditava-se, acabava o mundo e o então enorme poderio naval espanhol. Nessas colunas, uma faixa, em forma de S trazia a inscrição latina nec plus ultra, nada mais além. Ai de quem se aventurasse adiante: estaria condenado a mergulhar no Mar Tenebroso, onde habitavam apavorantes criaturas. Modernamente, o cifrão se mantém, inclusive no Brasil, mas apenas com um traço vertical. Todo mundo continua sonhando com muitos deles...
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O leitor José Tibúrcio Taboza, de Caruaru (PE), deseja saber a origem da expressão ouro preto que, em sua cidade, designa um bairro e em Minas Gerais é a cidade secular antes conhecida como Vila Rica. A explicação do nome é a seguinte: em 1694 a região foi visitada pela primeira vez por bandeirantes de São Paulo, que recolheram de um riacho estranhas pedrinhas negras. Uma análise técnica revelou ser ouro recoberto de ferro, daí o nome ouro preto. A cidade, a primeira do país a ser declarada Patrimônio Cultural da Humanidade, foi o berço da Inconfidência Mineira. Muita história para contar a partir de tão inocentes pedrinhas...
n email: marcio.cotrim@correioweb.com.br
O Código Civil e os condomínios
Mário Luiz Delgado ASSESSOR PARLAMENTAR NA CÂMARA DOS DEPUTADOS
O novo Código Civil, ao disciplinar os condomínios, reduziu a multa máxima aplicável ao condômino inadimplente que, pela Lei nº 4.591/64 era de 20%, e agora passa a ser de 2%, tomando como parâmetro o Código de Defesa do Consumidor, que estipulou, para a seara consumerista, idêntico limite.
A grande discussão refere-se ao espectro de alcance da norma, ou seja, se vincularia as convenções já aprovadas antes da entrada em vigor do Código ou apenas àquelas aprovadas e registradas depois de 11.01.2003.
Em um primeiro instante, seríamos levados a intuir que a redução não se aplicaria às convenções anteriores, que se enquadrariam na categoria jurídica de "atos jurídicos perfeitos" e, como tais, não poderiam sofrer os influxos da nova lei.
Entretanto, não é bem assim. A convenção de condomínio não é um simples contrato, possuindo natureza predominantemente estatutária e institucional, uma vez que não se restringe às pessoas que assinaram o instrumento de sua constituição, obrigando a qualquer indivíduo que ingresse no condomínio, em caráter permanente ou temporário. Trata-se de verdadeira "lei interna", destinada a regular a vida, não só dos condôminos, mas de todos aqueles que venham adentrar no edifício.
O estatuto legal do condomínio edilício antes era a lei nº 4.591/64 e hoje é o Código Civil. O estatuto contratual é a convenção. Quando os condôminos subscreveram a convenção, submeteram-se ao respectivo estatuto, e, portanto, anuíram desde logo com as futuras modificações desse estatuto.
Ou seja, as partes celebraram um negócio jurídico, submetendo-se à lei vigente e à lei que vigirá, sujeitando-se, automaticamente, ao estatuto legal e aceitando as alterações que o seu contrato poderia sofrer em virtude do novo diploma.
Quando os condôminos assinaram a convenção, estabeleceram eles os efeitos jurídicos da inadimplência (leia-se multa de até 20%), dentro do que então estabelecia a lei nº 4.591/64 (estatuto legal do condomínio). A vontade das partes atuou na formação do ato, mas não no que pertine aos seusefeitos, previstos inafastavelmente na lei. Assim, se a lei modifica os efeitos da inadimplência do condômino, reduzindo o limite máximo da multa, ela não modifica os efeitos de um contrato, mas os do próprio estatuto legal, motivo pelo qual não se poderia invocar violação a direito adquirido ou a ato jurídico perfeito.
Por todas essas razões entendemos que o notável avanço representado pela redução do percentual máximo da multa por atraso no pagamento da taxa condominial deve ser imediatamente aplicado, quer para as convenções anteriores a 11 de janeiro de 2003, quer para as posteriores.
O eciano Paulo Gadelha
Dagoberto Carvalho Jr. ESCRITOR
Cronista dos feitos ecianos da cidade e protagonista de muitos deles, ao longo das duas últimas décadas, nunca me furto à oportunidade de registrá-los, nem escondo a honra de fazê-lo. Afinal, coube-me suceder personalidades da estirpe intelectual de Paulo Cavalcanti, Silvino Lopes, Nilo Pereira e Orlando Parahym, que ligados ou não à Sociedade Eça de Queiroz, mantiveram acesa a chama viva de uma devoção literária que já dura um século. O Recife continua a mais eciana das cidades brasileiras.
Comemoramos o último 25 de maio, data aniversária do presidente fundador Paulo Cavalcanti (1915-1995), com mais um dos nossos tradicionais Jantares Ecianos, encontros lítero-gastronômicos que se associaram, definitivamente, a melhor tradição da confraria e se incorporaram ao próprio calendário cultural da cidade. Lembramos e degustamos, com bom vinho do Alentejo [adega de José Luiz Spencer], citações de Eça que bem justificaram a escolha da ementa: "esteve cá o Luiz Soveral e fizemos um jantar de vencidos, com bacalhau[não] na Maison dáOr [mas no Porto dos Navegantes](Correspondência) e "à noite, depois de um cabrito assado no forno, a que mestre Horácio teria dedicado uma ode, conversamos sobre o Destino e a Vida" (Contos); ouvindo as palavras de iniciação do mestre em Eça e n'outros saberes que é o escritor Paulo Gadelha. É nossa maneira de receber.
Foi assim que recebemos, antes, entre outros, os ecianos João Bosco Medeiros de Sousa, José Maria Lucena e Geraldo Apoliano. Assim fizemos, agora, com Paulo Gadelha, conhecido conteur - dos melhores e mais ecianamente bem humorado de sua geração - erudito e atualizado articulista do DIARIO DE PERNAMBUCO; combativo homem público, sertanejo de Sousa, três vezes deputado à Assembléia Legislativa da Paraíba e desembargador do Tribunal Regional Federal da 5Região. Em seu discurso, o novo confrade destacou, passagens significativas da vida e da obra do patrono da Sociedade, que "não tendo estatutos ou regimento, tem um bem maior que esses valores técnicos que convencionam as sociedades modernas: a imantação espiritual dos que cultuam a crítica e a interpretação do pensamento e da obra de um dos maiores autores de língua portuguesa. Eça de Queiroz - enfatizou - foi, pelo talento, pela ironia, pela imagem fértil, o mais arguto analista dos costumes do Portugal de seu tempo".
As palavras de boas vindas foram do não menos conhecido conteur e articulista do DIARIO - onde tem feito incursões ao mundo da ficção fradiqueana - juiz Hélio Coutinho Filho.
Outro momento da prestigiada festa de Paulo Gadelha, foi a entrega, pelo nosso Chanceler, jornalista e escritor Gladstone Vieira Belo, do título de Sócio Honorário da Sociedade Eça de Queiroz, do Rio de Janeiro, a Fernando da Cruz Gouvêa (autor de Eça de Queiroz - Empreiteiro da Risada); Marly Mota (pinto,ra das Cenas Ecianas) e a este articulista, pelos livros A Cidadela do Espírito - Considerações sobre a Arte Sacra na obra de Eça de Queiroz; Eça de Queiroz - Retratos de Memória e Revolução pela Palavra - Notas sobre Eça de Queiroz e aGeração de 70.
A ascensão de Ludmilla
Cláudio Almeida COMPOSITOR E ECONOMISTA
No dia 12 de novembro de 79, nascia uma menina linda, com luz própria e nome de bailarina.
Como se a vida fosse um palco, ela acostumou-se, desde pequena, com os aplausos.
Com um carisma impressionante e muito aplicada, ela foi destaque logo quando aprendeu o abc, na escola O Pequeno Príncipe.
O Nóbrega, foi o responsável por toda a base para a sua formação futura e teve nela uma das suas melhores alunas.
Como estudante de Economia, na UFPE, foi brilhante.
Aos 22 anos, em 2001, colou grau.
Ela dividiu com os seus colegas de classe, com os amigos, com os familiares e com todos aqueles que dela se aproximavam, momentos inesquecíveis.
Nunca passou desapercebida, em todos os ambientes que freqüentou, pois era bela e simples, espirituosa e elegante, centrada e brincalhona, cultivava o respeito pelos outros e era considerada competente por todos.
Os colegas do DIARIO DE PERNAMBUCO que o digam. Sempre foi manchete, mesmo trabalhando na área de Planejamento, dirigida por um de seus maiores admiradores: sr. Jorge, seu chefe imediato, que lhe deu o apoio decisivo em todas as horas.
Desde 2002, entra em cartaz um filme que ela já assistira na própria casa, sete anos depois da perda de sua mãe, Delcenira.
Exames, cirurgias, biópsias, tomografias, ressonâncias, radiografias, quimioterapia... Palavras novas, desinteressantes, para um vocabulário de uma aluna exemplar.
Dor, medo, esperança.
Ela supera todas essas etapas, dignamente.
As apavorantes taxas voltam ao normal.
Ela, agora, vive intensamente.
No último Natal, ela estava bela como nunca, reunida com a sua família, exalando felicidade.
Janeiro, um mês de sol e carnaval para os pernambucanos, agora, como as chuvas atípicas deste ano, está nublado para todos que a amavam.
O seu pai, realiza mais um dos sonhos dela: a matrícula no Mestrado em Administração, selecionada com todos os méritos.
Ela luta para viver, mais uma vez, com uma força impressionante.
A família, os amigos e aqueles que foram magnetizados por ela, se refugiaram no Hospital Esperança e diagnósticos, laudos, fé, pareceres, orações viraram uma rotina.
Após dois meses, ela volta para casa, para dar e ter alegria.
Um período de muita dedicação, de carinho, de esperança, mas, sobretudo, de reencontro com a própria essência dessa pessoa iluminada.
Médicos, enfermeiras e todo o pessoal envolvido no tratamento, se encantavam com a paciente.
Domingo passado, aos 24 anos e meio, quando o sol dava início às comemorações da Ascensão do Senhor, Ludmilla de Castro Alchorne, deixa o palco - pelas mãos de fãs dedicadíssimos, como Marcelo (o pai sempre presente), Léo (o noivo) e Délcia (uma das tias que dedicou-se, inteiramente, a ela, nesse período).
Agora, é uma estrela que vai brilhar sempre.
e-mail: clalm@elogica.com.br
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