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Sebastião Nery
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E Lula renunciou |
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RIO - Coronel Adeodato era dos tempos de Ruy Barbosa, da República Velha, lá na Bahia. Rábula famoso, enfrentou- o em numerosas escaramuças jurídicas. Mas o que ele era mesmo era chefe político. Mansa sabedoria, conversa de manteiga, mas decisão de aço.
Numa dura disputa eleitoral, um aliado amigo chegou sem jeito:
- Coronel, vou me bandear.
- Bandear para quem?
- Para seus adversários, coronel.
- Pode ir. Você querendo se bandear se debandeie. Mas uma coisa eu lhe garanto: aqui na Bahia, ninguém dá mais do que eu prometo.
Meirelles
Impossível saber o que bancos e banqueiros prometeram a Lula de tão apetitoso e irresistível. A verdade é que ele se entregou definitivamente à agiotagem do sistema financeiro, nacional e internacional.
No sistema presidencialista, a primeira função de um presidente é comandar a política econômica do País. E
Lula abdicou de seu dever maior, renunciou à principal
tarefa do mandato. Renunciou, mas não desgrudou do Governo, dos palácios, do jatão, das viagens. Não governa e não sai de cima.
Os ministros e líderes do Congresso que estiveram com Lula nas últimas semanas ouviram, todos, que os juros continuariam caindo este mês.
Vem o Meirelles, a capivara gorducha do Banco Central, e mantém os juros nos obscenos 16%. O "espetáculo do crescimento" era apenas um trago de mentira para embriagar a população. O País vai continuar patinando, atolando.
326 Bilhões
Qual o mistério? Lula transferiu o poder para a máfia financeira. Do total de R$ 1 trilhão que a dívida interna (só a interna, sem falar na externa) já atingiu, o Governo terá de rolar R$ 326,4 bilhões, um terço, nos próximos meses. Ponham 16% sobre isso e terão R$ 52,22 bilhões só de juros, limpos.
É muito dinheiro. E é de olho nele que a insaciável agiotagem dos bancos arrancou do Banco Central a continuação dos 16%. Qualquer meio ponto (0,50%) a menos diminuiria em alguns bilhões os lucros da especulação.
É uma operação diabólica. Analistas, lobistas, bobistas, jornais, rádios e televisões mais uma vez foram acionados,como acontece todos os meses para sustentarem a onda perversa a favor da manutenção dos juros altos.
Folha, Globo
É uma orquestração macabra. No dia da reunião do Banco Central, a Folha abriu duas manchetes de primeira página, forçando os juros altos:
"Juros sobem em bancos e financeiras - mercado ignora BC e juro ao consumidor sobe".
Quer dizer, se os bancos já puseram os juros mais altos, por que o Banco Central os baixaria? No Globo, a meiga Tereza Cruvinel vira um cinta-larga. Ataca violentamente às bordoadas, o PL, porque pediu juros mais baixos:
"São os freqüentes faniquitos do PL. No partido parece haver quem acredite que o PL lucraria com uma eventual piora das condições de governabilidade". (Como se baixar os juros levasse à ingovernabilidade).
O Merval Pereira corta fino, de faca, como um samurai da Febraban, insinuando que discutir a política econômica "é o que mais atrapalha a política econômica" e fala em "rompimento de contratos", "renegociação das dívidas".
Meirelles impôs os juros doBankBoston. E Palocci, com seu sorriso banguelo, finge que é o ministro da Fazenda como Lula finge que é o presidente.
Imposto de renda
Não é má vontade, pirraça. Lula realmente abdicou da presidência, do comando do País. Na semana passada, de público, ele anunciou à CUT, à Força Sindical e às outras centrais sindicais, que a tabela do Imposto de Renda seria corrigida até o fim de maio, só não sabia ainda em quantos pontos.
As centrais foram à Receita Federal, por sugestão de Lula, e concluiram que, apenas compensando a inflação, a correção teria de ser de 53,3%.
No dia seguinte, Palocci, o vampiro de Ribeirão Preto, sempre de terno negro, disse que não é nada disso, que a nova tabela do IR sequer será estudada este ano e que este é um problema para discutir, talvez, em 2005.
E Lula? O presidente voltará à CUT com a cara no tacho?
Sarney
Desde que derrotou o PSD no Maranhão em 65, eleito pelas tropas golpistas de Castello Branco, jamais Sarney levou coisa igual à da derrota da emenda da reeleição parapresidente do Senado. Está pondo fogo pelas ventas.
Ombudsman
A Folha, tão ombudsmada, diz que "Lula, a caminho
da China, fará uma escala de duas horas em Kiev, na
Rússia" (sic).
Errado. Kiev é a capital da Ucrânia, que fazia parte da União Soviética.
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