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Petrobras alavanca captação de recursos do longa Deserto Feliz
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CINEMA |
Luciana Veras Da equipe do DIARIO |
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Um dos 28 projetos aprovados na seleção pública de longa-metragem do Programa Petrobras Cultural é pernambucano, ao contrário do anunciado pela assessoria da Petrobras na semana passada. Divulgado como um projeto carioca, Deserto Feliz, terceiro filme do cineasta recifense Paulo Caldas, foi contemplado com R$ 600 mil, montante a ser captado pela Lei Rouanet e incorporado a outras fontes de patrocínio para inteirar os R$ 3,5 milhões do orçamento.
Alegre com a notícia, Caldas não liga muito para o erro da Petrobras. "Foi ruim porque entrou na conta deles de recursos destinados ao Rio de Janeiro e São Paulo, mas já falamos com eles e acertamos tudo", diz ao DIARIO, por telefone, do Rio de Janeiro. "O que importa é que isso alavanca a captação. É um selo de qualidade, porque o filme passou por uma seleção super difícil e foi aprovado por uma comissão de peso", emenda o co-diretor de Baile Perfumado (ao lado de Lírio Ferreira) e O Rap do Pequeno Príncipe Contra As Almas Sebosas (com Marcelo Luna).
O valor ofertado pela Petrobras, via a legislação de incentivo à cultura vigente no âmbito federal, junta-se aos R$ 40 mil captados no Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura - Funcultura. "A partir de agora, já podemos começar a visualizar, a marcar a data das filmagens", vislumbra o produtor Germano Coelho Filho. No cronograma ideal, com tudo dando certo e outros investidores abraçando Deserto Feliz, Paulo Caldas acha que filma tão logo se inicie 2005: "Pensamos em janeiro, fevereiro e março. Primeiro, faríamos a parte de Recife, depois iríamos a Berlim e na volta filmaríamos em Petrolina, Juazeiro e no Sertão".
Para a previsão se materializar, é necessário, segundo a lei Rouanet, que 60% do orçamento já esteja captado. "Uma forma deles evitarem que as pessoas peguem dinheiro e invistam sem ter como terminar o filme. Assim, ao menos garante colocar o filme na lata. O resto, que é a finalização, é mais fácil fazer depois", pondera Germano. "Até o final de junho a gente espera a resposta de outras empresas que jáforam contactadas", acrescenta Paulo.
Enquanto se constrói a teia financeira sobre a qual se erguerá o longa, avançam as certezas. A seção alemã de Deserto Feliz, antecipada pelo DIARIO há um mês, está maior, "30% do filme", nas palavras do diretor, e alguns nomes do elenco já estão confirmados. "Pode colocar aí que Marieta Severo está certa para fazer o filme. Chico Diaz é nosso protagonista, enquanto Maria Padilha e Guta Stresser farão participações", conta Paulo Caldas. Seu produtor avisa que atores locais não faltarão: "Teremos também Ortinho e Aramis Trindade, que fará um traficante de animais silvestres".
E assim, uma história ambientada em Petrolina e Juazeiro (BA), cidades-irmãs separadas pelo rio São Francisco, que envolve amores ferozes, prostituição infantil, tráfico de animais, Sertão e vinícolas, abandona a esfera de projetos em concepção para o plano dos filmes prestes a serem concretizados. "Com a aprovação da Petrobras, mostramos que Deserto Feliz é um projeto cultural de qualidade", situaCaldas. "Isso representa um avanço, porque outras empresas podem se aproximar sem receio de investir, porque verão o selo da Petrobras", arremata Germano Coelho Filho.
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