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Edição de Terça-Feira, 18 de Maio de 2004 
Viagem | Por uma viagem inesquecível
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Viagem
Por uma viagem inesquecível
Avaliar interesses, orçamento, língua falada no país, tempo e a melhor época para ir é imprescindível para escolher o melhor roteiro e fugir dos micos e problemas
Luiz Fernando Campos
Especial para o DIARIO
Por que não passar uma semana de janeiro no Canadá, com temperaturas de 30 graus negativos, reservar uns dias para visitar Londres - uma das cidades mais caras do mundo - na alta temporada e com apenas alguns dólares no bolso, ou achar que a Nova Zelândia, paraíso dos esportes radicais, será cenário ideal para uma lua-de-mel ? Saiba que programas (de índio) como estes podem transformar suas férias em total frustração. Para quem pisa pela primeira vez em solo estrangeiro, o planejamento é a regra básica para o sucesso da viagem. E é preciso observar hábitos e costumes dos cidadãos do país a ser visitado, para que nenhuma gafe ou "mico" estejam no roteiro de sua empreitada internacional.

Para o professor paulista Lúcio Martins Rodrigues, de 47 anos, viajante inveterado que já percorreu mais de 50 países e juntamente com a esposa, Bebel Enge, é autor do livro Manual do Turista Brasileiro (Aleph Editora, 434 páginas), é fundamental responder a cinco perguntas, para quem nem sabe por onde começar: Qual o seu interesse? Quanto dinheiro você tem? Que línguas fala? De quanto tempo dispõe? Qual a época do ano em que quer viajar?

O local escolhido tem que levar em conta o perfil do viajante e o que procura - arte, praia, aventura, misticismo etc. "Uma senhora, por exemplo, não vai querer fazer alpinismo no Nepal", considera. O segundo passo é adequar o orçamento levando em conta passagem, estada, alimentação e transporte. "Se uma pessoa pretende passar uma temporada no Japão com apenas US$ 800 no bolso, vai entrar numa furada, pois o país é caríssimo".

Para evitar a falta de dinheiro - ou gastos desnecessários - , Rodrigues recomenda que seja feita pesquisa sobre o custo de vida, bem como preços de hotéis, entradas em museus, passeios e transporte. Em média, ele diz que um casal em viagem à Europa, em esquema econômico, pode gastar de 65 a 70 euros, incluindo estada em hotéis simples. "Países como Grécia, Portugal, Argentina, Chile, Peru e até o interior da França são bastante procurados e têm preços bastante acessíveis".

A língua falada é outro critério. O turista que só fala português terá sérias dificuldades de comunicação em destinos orientais como China, Coréia e Tailândia. "Não dá nem para ler as placas de sinalização. Já nos países latinos, mesmo que você não fale o espanhol, dá para se virar. Já quem tem inglês fluente, pode ir para qualquer lugar do mundo, até para Marte", brinca. O viajante que não quer deixar de conhecer países exóticos, mesmo sem falar outros idiomas, pode optar por uma excursão com guia bilíngüe.

O tempo destinado para a viagem também é fundamental para a viabilização do roteiro. "Desaconselho viagens curtas em locais distantes. Para países como a Malásia, por exemplo, podem-se gastar até três dias entre vôos de ida e volta", alerta. Na opinião do especialista, os tradicionais pacotes "Europa em 15 dias", que percorre vários países, são viagens apenas de reconhecimento, já que não há tempo suficiente para conhecer cada lugar. "Também é importante saber como está o clima da região a ser visitada, pois viajar em época errada é a maior roubada. Se o calor do Rio de Janeiro é insuportável, passar o verão em Roma, Sevilha ou Marrakech pode ser desesperador, já que as temperaturas ultrapassam os 40 graus centígrados", comenta. Um bom companheiro de viagem, segundo Lúcio Martins Rodrigues, é sinônimo de economia e praticidade. "A dois, você divide despesas com táxi, aluguel de carro e estada e ainda cuidam da segurança um do outro".

MICO Em viagens, nem sempre é possível voltar atrás e recuperar o que se perdeu. Escolhas erradas e a falta de um planejamento mínimo que seja podem resultar numa experiência "inesquecível". A professora mineira Teresinha Costa, de 61 anos, autora do Manual para Viajantes (Bom Texto Editora, 150 páginas), recomenda que, além da pesquisa em sites e agências de turismo em busca do melhor preço, "procurar um agente de viagens experiente é fundamental, já que ele pode indicar hotéis, passagens aéreas e aluguel de carro mais baratos". A agência deve ser filiada à Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), recomenda.

Teresinha é radical quando o assunto é seguro-saúde. "Não se viaja sem seguro. É um dinheiro que deve ser gasto, e é um prazer, ao chegar em casa, rasgar a apólice que não foi usada. Em países estranhos é muito mais fácil o risco de acidentes ou passar mal com comidas exóticas", aponta. Quanto à bagagem, a professora aconselha o máximo de racionalidade. "Nunca vi uma viagem se perder por falta de roupa, mas pelo excesso. Uma dica é escolher as peças que se quer levar e espalhá-las em cima da cama. Depois disso, tire pelo menos a metade". Apesar das recomendações, Teresinha dá o recado aos marinheiros de primeira viagem: "Não tenham medo de pagar micos, eles fazem parte da viagem. Os hábitos são diferentes e não é preciso ter vergonha na hora de perguntar uma informação", recomenda.

 
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