|
|
|
Velha e conhecida gripe volta a fazer vítimas
|
Vírus Influenza tem fácil transmissão e produz tipos variados |
Juliana Aragão Da equipe do DIARIO |
 |
No começo, espirros e tosse. Depois, a garganta começa a doer e aparecem os sinais. O elenco não é pequeno: congestão, coriza, dores pelo corpo, indisposição e o diagnóstico é simples: gripe. Uma das doenças mais contagiosas e comuns - principal responsável pelas faltas ao trabalho no Mundo todo - ela é velha conhecida da humanidade e vez por outra está de volta com um novo surto. Essa característica cíclica e mutante é um dos principais trunfos do vírus Influenza que, por sua fácil transmissão, é capaz de correr por todos os continentes produzindo tipos diferentes e provocando epidemias de tempos em tempos, como a que vem derrubando os recifenses nas últimas semanas.
Uma dessas vítimas é a advogada Patrícia Araújo, 29 anos. "Começou com um incômodo na garganta e depois eu arriei de vez. Só consegui levantar da cama no terceiro dia", conta, ainda convalescente. Ela pegou o vírus de um sócio e já passou a doença para os dois filhos, de três e seis anos. Outra que enfrenta os incômodos da gripe é Iracema Lobo, 80, que também está acamada. "Faz menos de 15 dias que ela foi vacinada, mas mesmo assim pegou", conta a filha Socorro Lobo.
A última novidade em termos de surtos gripais é o vírus Fujian - um dos que devem aportar no Brasil este ano. Ao contrário de outras epidemias de Influenza, no entanto, a Fujian, importada da Ásia, veio sem aviso prévio, diferente do que acontece com as famosas gripes que costumam derrubar muita gente depois de períodos como o Carnaval ou durante o inverno. Dona de um potencial patogênico acima da média, a Fujian já é considerada pela Organização Pan-Americana de Saúde como a mais forte dos últimos anos.
O grande problema, na verdade não está na gripe em si, mas nas suas complicações. Apesar de relativamente simples - é praticamente impossível achar alguém que não tenha enfrentado um episódio da doença na vida - a Influenza é capaz de matar. Só no Brasil, acontecem entre 10 mil e 15 mil óbitos anuais provocados pelas suas complicações, que afetam principalmente idosos, criançase pessoas debilitadas.
Para o chefe do setor de infectologia do Hospital Oswaldo Cruz, Vicente Vaz, é importante saber que a gripe tem cura. "Normalmente, elas são benignas em pessoas jovens e saudáveis, mas, quando acometem as que estão com o sistema imunológico debilitado, podem complicar. Nesses casos específicos, é feita uma medicação antiviral, mas o tratamento é caro", explica. Ele lembra, no entanto, que é importante diferenciar as gripes dos resfriados - causados por um vírus diferente - o rhinovírus - com sintomas mais brandos.
Mas nem só quem está debilitado pode enfrentar uma complicação. Sinusites, otites, bronquites e pneumonias são relativamente freqüentes depois de uma gripe mal-curada.
|
 |
|
|