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Um tênis para cada tipo de pisada
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Especialistas alertam que mesmo modelos mais sofisticados, com alta tecnologia de amortecimento, podem causar lesões em função da anatomia dos pés |
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Você comprou um tênis de último tipo por R$ 500 e, depois de uma corridinha básica de 40 minutos, começou a sentir dores nos joelhos ou nos tornozelos? Normal! Segundo especialistas, como o coordenador do Centro de Excelência Esportiva da Universidade de Pernambuco (Cenesp), Manouel Costa, a mais alta tecnologia de amortecedores de impacto não garante atividades físicas sem lesões. Isso porque a escolha do tênis correto depende de muitos fatores, que vão além do preço e dos modismos.
"Muitos atletas amadores ou freqüentadores de academia usam um calçado de passeio ao se exercitar, apenas porque está na moda, sem outros cuidados, além da estética", critica Manoel. O correto, de acordo com ele, seria fazer uma avaliação do tênis de acordo com a atividade que se pratica. Essa análise pode acontecer com a ajuda dos vendedores de lojas de sapatos e produtos esportivos. "Eles precisam de uma formação básica sobre as diferentes formas de pisar: pronados, supinados e os planos", completa.
Você pode se informar sobre seu tipo de pisada com o ortopedista. O pronador pisa mais forte com a parte interna do calcanhar; enquanto no neutro, o calcanhar alcança o chão por inteiro. Já no não pronador ou supinador é a parte externa, atrás, que recebe mais carga de peso. Uma avaliação ainda mais precisa é feita através de um teste no Centro de Excelência Esportiva de Santa Catarina, onde a Olympikus desenvolve suas pesquisas para novos solados. "Nessa clínica, é usado um scanner a laser, a plataforma de força e filmagem de movimentos. O custo do exame fica por volta dos R$ 1.500,00", adianta Costa.
AMORTECEDOR - Caso o valor pareça alto demais (as passagens e hospedagem para o Sul estão fora do pacote), uma outra maneira de evitar lesões é utilizando as informações sobre morfologia do pé x atividade praticada. Assim, evita-se o problema que a apresentadora Cíntia Howlett enfrentou. Ela experimentou o último lançamento da Nike, o Nike Shox (R$ 525), com amortecedores aparentes, mas, depois da correr, sentiu dores nos joelhos. Oamortecimento dele eleva demais o calcanhar, alterando a pisada e favorecendo lesões em quem não tem um pé livre de desvios. "Achei o calcanhar muito alto e, depois das dores nos joelhos, troquei logo por um Nike Air Max. A dor passou".
Já a lutadora de jiu-jitsu Natasha Franco, de 21 anos, terceiro lugar mundial na faixa roxa, corre com Nike Shox e adora. "É uma delícia - diz. Eis a questão: o tênis ideal para um pode arruinar as articulações de outro. O ortopedista Romualdo Veras diz que o tênis ideal é aquele com solado resistente, macio, que absorve os microtraumas de cada passada. "O atleta deve ter uma avaliação própria para o seu pé, fazendo-se as correções que se façam necessárias através de palmilhas sob medida". Ela pode ser feita através de clínicas indicadas no próprio consultório.
VARIEDADE- A triatleta Fernanda Keller nunca teve problema com tênis Nike, marca que a patrocina. Ela disse que usa um modelo para cada tipo de treino. Gosta do Pegasus (para pisadas neutras ou de supinadores) paracorridas longas, de três horas, porque o calcanhar é reforçado, mas para tiros (corridas rápidas, intervaladas) prefere os de solado mais fino. Vale lembrar, ainda, que os tênis de corrida, com amortecedores potentes, em esportes de quadra, acabam por travar o pé, causando sérias lesões.
O tamanho correto do calçado deve ser observado sempre. "Parece óbvio, mas a maioria das pessoas esquece de provar todos os pares à disposição, até se decidir por aquele que dá total conforto", salienta Veras. O modelo não deve ficar folgado porque facilita traumas na pele, pelo atrito. "O ideal é que esteja na medida exata, dando total estabilidade", argumenta o ortopedista. O problema é que a indústria de calçados no Brasil ainda segue padrões ingleses do século XIX. "Um estudo do pé do brasileiro está iniciando para gerar novas numerações", informa Manoel Costa.
Os novos modelos ganham uma entressola para dar mais estabilidade e hoje, segundo Norton, a indústria briga pelo melhor recheio dessa entressola.
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