Um dos grandes nomes do artesanato de Goiana é José do Carmo, que, aos 68 anos, já produziu mais de seis mil peças. Sua arte esteve em quase todos os estados do Brasil, além de países como Alemanha e Estados Unidos.
Aos sete anos, o artista começou a trabalhar com barro, fazendo bonecos que imitavam o homem nordestino e os santos italianos. Certo dia, o menino, inconformado em apenas copiar "anjos loirinhos e branquinhos", criou um anjo semelhante ao sertanejo, um "anjo mestiço". Sua mãe, católica fervorosa, o proibiu de fazer aquelas imagens profanas.
Durante mais de 20 anos, o artista cumpriu a vontade da mãe. Em 1952, com a perda da figura materna, Zé do Carmo libertou a sua criatividade. "Em vez de tocar harpa e lira, meus anjos tocam instrumentos do Nordeste, vestem bata do beato do Sertão e têm cara de gente", explica.
Em 1980, na visita do papa João Paulo II ao Recife, colecionadores da cidade solicitaram uma peça para prestigiar o religioso. Zé do Carmo fez o Anjo do Cangaço: um cangaceiro comespingarda, chapéu e asas. Dom Helder Camara, considerou o boneco uma heresia e proibiu que o presente fosse entregue ao Papa. A peça não chegou ao sacerdote, mas proporcionou a Zé do Carmo reconhecimento internacional. Desgostoso com a recusa de Dom Helder, Zé do Carmo trocou o barro pelas telas.
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