O estudante Moisés Alexandre Teixeira, 24, sintetiza as dificuldades vividas pelo elenco do Íbis, mais especificamente, pela falta de elenco. Sem posição definida, Moisés começou a maioria dos jogos na reserva, entrando eventualmente para compor a defesa. Em duas oportunidades, porém, o atleta terminou a partida embaixo das barras, como goleiro, pela falta de um reserva para a posição.
Em todo o campeonato, 28 jogadores passaram pela equipe rubro-negra. "Começamos com 15. Ao longo do campeonato, fomos dispensando quem não demostrava interesse", revela o técnico José Dionísio do Carmo. Entre as principais dificuldades, ele cita a falta de experiência dos atletas, que possuíam idades entre 19 e 23 anos e a impossibilidade de efetuar um trabalho completo. "Muitos deles trabalham ou estudam e faltavam os treinos. Era muito difícil fazer coletivos", reclama.
Não faltaram só jogadores. Em nenhuma das partidas disputadas, o Íbis tinha médico no banco de reservas. Na despedida, contra o Vitória, a situação foipior. "O massagista faltou e sobrou para mim ficar no lugar dele", lamentou o conselheiro do clube, Carlos José Ferreira. Azar para o goleiro Teté, que deixou o campo machucado para a entrada do zagueiro Moisés. A quarta árbitra do jogo, Elisângela Santos, informou que, apesar de ser obrigatório, o juiz pode autorizar a realização da partida sem a presença do médico, como aconteceu.
TORCIDA - "Trabalho há onze anos aqui no estádio de Goiana. Nunca vi tanta goleada na minha vida quanto agora, com o Íbis jogando aqui. É o pior do mundo mesmo". A afirmação do pintor e maqueiro João Batista do Nascimento, 51 anos, reflete bem a impressão deixada pelo Pássaro Preto nos goianenses. Alheios à polêmica da diretoria, os "torcedores" compareceram às arquibancadas para apoiar os jogadores e dar boas risadas.
Torcedor do Sport, o auxiliar de serviços gerais José Paulo da Silva, não aguardava outro rumo para o íbis no campeonato. "Se fosse esperar uma vitória, ave Maria, ia ser muito tempo. Achei normal perder todas.Não é o pior do mundo? Surpresa era se ganhasse", brinca. "A gente se diverte. Quando perde, o pessoal sempre fica comentando", relata o professor Paulo Rabelo de Assis, 29.
Mas há quem discorde da postura do time. Desportista da cidade e dirigente do Fluminense de Goiana, o funcionário público Gérson Borges da Silva, 68, não perdeu nenhum jogo e tem as suas críticas. "Não gosto da maneira que eles fazem. Dos jogadores, seis ou sete são do Fluminense e jogam bem. O Íbis não aceita a vitória. Não pode melhorar nunca assim", dispara, sem, no entanto, perder o bom-humor: "Pelo menos nós vimos gols aqui".
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