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Estratégia ou não, Íbis só fez perder este ano
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Disputando a 2ª Divisão, time fez campanha pior do que a de 1979 |
Marcel Tito DA EQUIPE DO DIARIO |
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Disputando a primeira divisão do Campeonato Pernambucano, em 1979, o Íbis perdeu todos os 12 jogos, sofreu 51 gols e fez apenas um. Terminou como último colocado e ganhou a fama de "pior time do Mundo". Vinte cinco anos depois, a equipe se superou. Após ser abatido nas oito partidas disputadas, levar 38 gols e fazer apenas cinco, o Pássaro Preto acabou na lanterna do Campeonato Pernambucano de 2004, só que desta vez, da segunda divisão. Alguns dirigentes do clube afirmam ter sido este o objetivo: perder todas as partidas e ratificar a condição de pior, colocando em xeque a credibilidade do título conquistado.
Na preleção para a partida contra o Vitória, na quarta-feira passada, a situação do Íbis estava clara nas palavras do técnico e mestre de obras José Dionísio do Carmo, 47 anos. "Até agora não ganhamos nenhum jogo. Esta é a última partida e a gente tem a obrigação de vencer hoje. Temos que honrar a camisa que estamos vestindo. Eles vão se surpreender". Não houve surpresa. Carregando a marca de "pior time do Mundo" no uniforme, o Pássaro Preto "honrou" suas vestes. Perdeu o jogo por 4 x 2 e se despediu do certame sem marcar nenhum ponto.
O que poderia ser um drama para qualquer clube, trata-se, segundo o supervisor do Íbis, Gílson Lins, de uma estratégia. "Foi uma campanha para não perder o título de pior time do Mundo. Nosso trabalho foi voltado para isso. O objetivo era entrar para levar pancada mesmo", ironiza. De acordo com ele, desde novembro de 2003, quando a equipe começou a ser construída para disputar o torneio, o pensamento era só um: "não interessava a vitória, e sim manter a trajetória do Íbis".
À frente da equipe desde o primeiro jogo do campeonato, José Dionísio atesta a falta de compromisso da diretoria com os resultados positivos. "Pedi para perder eles não pediram, mas do jeito que fizeram é como tivessem mandado", dispara Pó, como é conhecido o treinador em Goiana, cidade utilizada como sede pelo Íbis nesta temporada. Antes de assumir o comando do time,Dionísio treinava o Fluminense, um clube amador da cidade. "Nós fizemos uma lista de atletas mas eles não inscreveram nenhum deles. Tivemos que utilizar outros daqui mesmo e não deu tempo de prepará-los", informa.
Sem esconder o alívio por estar deixando o comando do time, Dionísio reconhece o Íbis como o pior do mundo. "Nunca, na minha vida, perdi tantos jogos assim não. Esta fase está encerrada", diz. O treinador retorna ao comando do Fluminense com o desejo de profissionalizar o clube e disputar a segunda divisão, já vislumbrando a possibilidade de enfrentar o Pássaro Preto. "Quando o Íbis chegou em Goiana, jogou contra o Fluminense e perdeu por 1x0. Se chegar um dia a enfrentar o Íbis, tenho certeza que vencerei", sentencia.
IRRITAÇÃO - O presidente do Íbis, Carlos Alberto Pinto, reagiu com indignação aos comentários do supervisor Gílson Lins. "Entrar para perder é contra os meus princípios. A gente tentou ganhar, mas não tive dinheiro para montar o time. Ele está extrapolando, está mentindo e será chamado a atenção", assegura. Carlos Alberto revela, inclusive, ter recebido "malas-pretas" de dois clubes para vencer o Vera Cruz, numa das últimas rodadas do torneio. "Falamos para os jogadores que eles ganhariam seis mil se derrotassem o Vera Cruz e três mil se empatassem. Os atletas tentaram, mas não conseguiram", argumenta.
Para contradizer ainda mais o supervisor, o presidente indica o "real" objetivo do Íbis a partir de agora: ascender para a primeira divisão em 2005. Na tentativa de obter sucesso na nova empreitada, o time trocou Goiana por Camaragibe. "O nosso pensamento agora é fazer uma boa Copa Pernambuco e, no próximo ano, conquistarmos uma das vagas na elite. Ser o pior na primeira divisão é melhor", brinca Carlos Alberto.
FEDERAÇÃO - Mesmo se tratando de um time famoso por ser o pior do mundo, o presidente da Federação Pernambcana de Futebol (FPF), Carlos Alberto Oliveira, não acredita na possibilidade do Íbis ter entrado em campo fazendo corpo mole. "Nenhum jogador entra para perder em lugarnenhum. Isso está acontecendo por falta de estrutura. O Íbis é um time do Recife que enfrenta dificuldades de conseguir recursos. Nem campo tem para treinar. É diferente de times do Interior que conseguem ajuda de comerciantes, da prefeitura e dos próprios moradores", considera.
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