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Selo abre novas fronteiras para produtos agrícolas
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Certificação valoriza em até 30% produtos exportados por Pernambuco |
Roberto Cavalcanti DA EQUIPE DO DIARIO |
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Instrumentos indispensáveis à conquista do mercado internacional, os certificados de compromisso social, qualidade, higiene, sanidade e isenção de resíduos químicos conferidos à produção agroindustrial têm aberto novas fronteiras para as exportações pernambucanas. Além de um valorização de até 30% em relação aos produtos não certificados, os selos asseguram a fidelidade dos clientes, tornando as operações de compra mais regulares. Em sintonia com as novas exigências do mercado externo, cinco das 20 usinas de açúcar instaladas no Estado acabam de receber o atestado de Boas Práticas de Fabricação (BPF), concedido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem industrial (Senai).
A chancela é um reconhecimento ao atendimento das normas de higiene e segurança alimentar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e funciona como um testado de produto livre de contaminação. Já possuem o novo selo as usinas Ipojuca, Pedrosa, Pumaty, Cucaú e Trapiche. As demais estão sendo capacitadas para a implantação do programa de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), um dos pré-requisitos para a certificação. A APPCC integra o Programa de Alimentos Seguros (PAS), do Senai, e busca identificar possíveis pontos de contaminação ao longo da cadeia produtiva, da matéria-prima ao consumidor final.
O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, disse que os selos de qualidade são um exigência cada vez mais presentes nas operações de exportação e que o setor sucroalcooleiro tem adequado seu parque industrial às normas estabelecidas pelas certificações. Além do BPF, grande parte das empresas possuem o selo de Empresa Amiga da Criança, concedido pela Associação dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq). A agroindústria canavieira também coleciona certificados de qualidade ISO, nas séries 9000 e 14000.
"A importância dos selos vai além da valorização dos preços de mercado. O consumidor moderno começa a despertar para as questões sociais e ambientais, dando preferência aos chamados produtos politicamente corretos", salientou Cunha. Segundo ele, a escolha por alimentos chancelados deve crescer nos próximos anos, principalmente na Europa, o que tem levado muitas empresas a reformularem seus processos produtivos, adequando-os ao novo perfil do mercado.
orgânicos - A fruticultura irrigada do Vale do São Francisco também tem orientado suas práticas agrícolas e agroindustriais em função da obtenção dos selos de qualidade e do atendimento às exigências dos países importadores. A principal frente de trabalho está voltada à produção orgânica. Muitas empresas produtoras de manga e uvas já obtiveram o selo orgânico do Instituto de Biodinâmica do Brasil e da rede francesa de supermercados Carrefour.
A preocupação com os níveis de contaminação por resíduos tóxicos e o crescimento da demanda internacional por frutas orgânicas levou os produtores a adotarem um modelo de controle denominado de Produção Integrada. Responsável pela normatização e acompanhamento das frutas do plantio à distribuição, o sistema deve iniciar as certificações ainda este ano. "O selo verde vem se somar aos conferidos pelo Eurapgat - instituto de atacadistas da União Européia - e pelo Programa de Alimentos seguros, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária", pontuou o superintendente da Associação dos Exportadores de Hortigranjeiros do Vale do São Francisco (Valexport), Alberto Galvão.
Frente às novas exigência, o atendimento às normas internacionais de qualidade e segurança torna-se o único mecanismo capaz de assegurar a continuidade das exportações. De acordo com os técnicos, quem não se adaptar às exigências, sobretudo as impostas pela União Européia, certamente perderá mercado e será obrigado a redirecionar a produção para o mercado interno. O programa de Produção Integrada vem sendo desenvolvido em parceria pela Valexport, Embrapa Semi-Árido e Instituto Tecnológico de Pernambuco (Itep).
As vinícola também estão apostando na produção de vinhos livres de resíduos agrotóxicos como diferencial de mercado. Para isso, foi criado na região do Sub-médio São Francisco o Instituto do Vinho. A entidade ficará responsável pela emissão das certificações dos vinho orgânicos. "Nossas expectativas são de que a certificação dos vinhos do Vale assegurem o crescimento da demanda interna e ajude na conquista do mercado internacional", disse o diretor da vinícola Santa Maria, José Gualberto Almeida.
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