O secretário nacional do audiovisual, Orlando Senna, veio ao Recife para participar de um dos seminários do Cine PE - Festival do Audiovisual. Na agenda, além das discussões sobre o setor que comanda, outras articulações, como aquela que prevê a instalação de uma unidade do Centro Técnico Audiovisual (CTAv) em Pernambuco. "Vim para cá também para resolver isso. Esse projeto será realizado em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco e a idéia é que até o final do ano possamos anunciar tudo, inclusive onde funcionarão as instalações", falou ao DIARIO.
E essa é apenas uma das novidades na seara cinematográfica da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo o secretário, "já investiu muito mais em cultura e cinema do que os oito anos do governo anterior" -"tanto que a dotação orçamentária do Ministério da Cultura passou de R$ 180 milhões para R$ 400 milhões e só em cinema vão ser investidos R$ 122 milhões, R$ 40 milhões a mais do que o ano passado", enumerou Orlando Senna.
Parte desse investimento se dará em dez editais que a Secretaria do Audiovisual pretende lançar em maio, uma relação que Senna antecipou ao DIARIO. Além de aumentar o número de projetos a serem agraciados do concurso de realização de longas-metragens, por exemplo, a SAV vai criar um nicho para os que se dedicam à animação, gênero nunca contemplado em concursos afins. "Vamos criar um prêmio para desenvolvimento de projetos de longas-metragens de animação, bem como outro para os projetos de animação que não necessariamente incluam filmes e que podem ser iniciativas como oficinas de animação em comunidades", detalhou o secretário.
"E vamos manter o apoio à distribuição", emendou Orlando Senna, "dando prêmios para incentivar filmes que se realizam mas não encontram verbas para serem lançados". Um dos projetos já apoiados pela secretaria é O Prisioneiro da Grade de Ferro, documentário de Paulo Sacramento rodado com e pelos detentos de Carandiru, em exibição em São Paulo (e, espera-se, com chances de passar por aqui).
O secretário também comentou as resoluções do decreto 5.054, regulamentado na semana passada pela Ancine (Agência Nacional do Audiovisual), que institui multas entre R$ 2 mil a R$ 2 milhões para o descumprimento das normas como a cota de tela (número de dias obrigatório para projeção de longas-metragens nacionais nas salas de exibição). "Na teoria, a agência já estava apta a fazer isso, mas agora a Ancine possui os instrumentos legais para poder efetivar essa cobrança e esse tipo de sanção poderá ser fiscalizada com mais propriedade", resumiu Orlando Senna.
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