|
|
|
Filme de Mesel tem novo cronograma
|
|
|
 |
Do registro da idéia na Biblioteca Nacional, decorrem oito anos. Da aprovação no Ministério da Cultura, outros três. E da travessia que 23 judeus fizeram de Recife até Nova Amsterdam, ainda não conhecida como Nova York, já se vão 400 anos. Datas são importantes no projeto O Rochedo e a Estrela, desenvolvido pela diretora pernambucana Kátia Mesel, que no início era um longa ficcional, há alguns meses mudou de enfoque e tornou-se um documentário e agora caminha para ter suas primeiras seqüências rodadas no estrangeiro.
"Este ano se celebram os 400 anos de Maurício de Nassau e os 300 anos de presença judaica em Nova York", explica Kátia, "daí, no dia 12 de setembro deste ano, recebi o convite para estrear o filme lá e claro que irei. Vou apresentar uma cópia em vídeo com 52 minutos do documentário, até porque a versão em película com 70 minutos não ficaria pronta". Esse é o seu objetivo com os R$ 300 mil de que já dispõe do total de R$ 1,7 milhões que compõem o orçamento, dados pelo único patrocinador do projeto até agora, as Casas Pernambucanas.
"Esse dinheiro dá para dar um start na produção, dá para começar a filmar enquanto a captação segue", destaca a diretora de Recife de Dentro pra Fora, que já gravou, em tecnologia digital, dois depoimentos aqui. "Gravei com Marcos Galindo, professor universitário que vai defender agora uma tese de doutorado sobre os documentos holandeses em Pernambuco, e com Alexandre Ribemboim, autor de um livro sobre os senhores de engenho judeus do Estado", confirma. A primeira rodada foi captada em imagens por Beto Martins; agora, com a entrada da produtora paulista da Estação Oito, a fotografia principal fica a cargo de Rodolfo Sanchez (Amélia, de Ana Carolina).
"Fechei uma parceria com Rosa Jonas, pernambucana que há muito está radicada e trabalhando com publicidade em São Paulo e agora está voltando às raízes, tanto por estar trabalhando com cinema como porque vai lidar com Pernambuco", conta Kátia, que viajará para Nova York, Holanda e Portugal em busca de depoimentos de historiadores e arqueólogos e à cata de descendentes das famílias que de cá migraram.
Há um detalhe que ela faz questão de ressaltar e que, de fato, torna a realização de O Rochedo e a Estrela impregnada de simbolismos. "A travessia deles é estimada em ter acontecido entre final de fevereiro e setembro, quando chegaram a Nova York. O mesmo está acontecendo com o filme, que começou a ser rodado no dia 29/02 e será apresentado em 12 de setembro", arremata a cineasta, não sem antes sorrir e balançar os enormes brincos adornados com a estrela de Davi a refletir sua herança. ( Luciana Veras)
|
 |
|
|