De acordo com o endocrinologista Walmir Coutinho, uma pesquisa feita pelo Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, com 74 fórmulas emagrecedoras ditas fitoterápicas e comercializadas livremente no mercado detectou a presença de drogas controladas - como anfetaminas - em mais da metade delas.
O abuso dessas substâncias, apontam os médicos, tem na verdade várias frentes e vão desde a prescrição indevida até o desconhecimento dos pacientes sobre os riscos. "Existe uma demanda grande por parte dos consumidores, inclusive os que não precisariam tomar drogas para emagrecer, o que sustenta essa rede de distribuição ilegal", observa. O Consenso Latino-Americano em Obesidade, documento que dita as regras para a indicação dos remédios para emagrecer, restringe a sua aplicação a casos de obesidade extrema ou quando o tratamento convencional (dieta e exercícios) não obteve êxito. Além disso, o Consenso aconselha que o medicamento não deve ser o único meio de tratamento, e sim associado a atividades físicas e reeducação alimentar.
Quem se automedica, portanto, muitas vezes desconhece os riscos. Mesmo usando remédios aprovados pelos órgãos de saúde, a telefonista Micheline Alcântara, 28 anos e cerca de 20 quilos acima do peso, sentiu na pele os efeitos das drogas tomadas sem indicação. "Comecei tomando alcachofra, laxantes e shakes dietéticos, mas como não tive resultados passei a usar o fenproporex - que é controlado - mesmo sem ter uma prescrição. Tomei o remédio por seis meses e nesse tempo sentia palpitações, sono em excesso e calafrios. A parte boa era emegrecer sem ter que fazer dieta", lembra. Ao saber da morte da esposa de um amigo causada pelo uso de remédios para emagrecer, Micheline decidiu suspender a medicação e, em poucos meses, recuperou os 10 quilos que havia perdido.
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