SÃO PAULO - O Federal Reserve (FED, o banco central americano), manteve as taxas de juros dos EUA inalteradas ontem, em 1% ao ano, mas insinuou que a fase da "paciência" acabou e a política monetária vai ficar mais apertada. O comunicado do Federal Open Market Committee (Comitê Federal de Mercado Aberto, o Copom dos EUA), no entanto, apontou para um "ritmo comedido" na elevação dos juros, afastando a possibilidade de uma alta imediata nas taxas. O comunicado do FED acalmou o mercado brasileiro: o dólar fechou em US$ 2,97, queda de 0,01%, e o índice Bovespa encerrou o pregão em alta de 1,42%. Já o risco Brasil caiu 3,42%, fechando em 677 pontos, enquanto o C-Bond, título mais negociado da dívida externa brasileira, encerrou o dia em baixa de 0,415, negociado a 90,875% do valor de face.
Essa sensação de alívio que tomou conta do mercado, derrubando o dólar e animando a bolsa, deve-se ao fato de que muitos analistas concluíram: "podia ter sido pior". O Fomc confirmou os temores do mercado, excluindo do comunicado a garantia de que terá "paciência" para começar a elevar os juros, como havia assegurado em outros comunicados. Desta vez, "com a inflação baixa e a folga na utilização da capacidade, o Comitê acredita que a política de acomodação poderá ser retirada em um ritmo que será provavelmente comedido". Mas enquanto o FED tirou a "paciência" de seu discurso, a menção ao "ritmo comedido" tranqüilizou o mercado, que interpretou o termo como um sinal de que os juros básicos não vão disparar nos EUA de uma hora para outra.
O grande medo é de que uma elevação brusca dos juros americanos leve a uma fuga de capitais dos países emergentes, o que causaria uma alta do dólar e encarecimento dos financiamentos do Brasil.
"Já esperávamos a manutenção das taxas, mas o comunicado poderia ter indicações de que os juros já iam começar a subir em junho. Do jeito que veio, continuamos esperando uma alta nas taxas só em agosto", diz um analista. "Esperamos uma elevação dos juros, mas de forma bastante gradual", diz Clive Botelho, diretor de Tesouraria do Banco Santos. "Houve até um certo alívio, porque não vimos nenhuma palavra que indicasse uma elevação iminente dos juros.'
Para Alexandre Mathias, economista-chefe do Unibanco Asset Management, ao falar em "ritmo comedido" para o aperto da política, o FED descarta um aumento preventivo, agressivo e contínuo. "Isso fará com o ambiente global seja menos virulento do que nas últimas três semanas.'
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