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Edição de Quarta-Feira, 5 de Maio de 2004 
Brasil | Desespero em frente ao Planalto
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BRASIL
Desespero em frente ao Planalto
AMEAÇA DE SUICÍDIO
BRASÍLIA - O motorista paraibano R.O.N., 45 anos, tentou atear fogo ao próprio corpo na tarde de ontem, em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, mas a ação foi impedida por um bombeiro da Presidência da República. Ele protestava por ter sido excluído do Serviço de Proteção Especial ao Depoente da Polícia Federal. Acusou juízes e policiais de seu Estado de envolvimento com o tráfico de drogas e armas. No início de abril, o desempregado José Antonio Andrade de Souza, 30 anos, ateou fogo ao próprio corpo em frente ao Palácio. Após ser internado com queimaduras de até terceiro grau e 85% do corpo queimado, ele morreu no dia 18 de abril.

  Por volta das 15h, o motorista despejou uma garrafa de álcool sobre o corpo e tirou um isqueiro do bolso, ameaçando acendê-lo. Seguranças e bombeiros da Presidência cercaram-no enquanto tentavam convencê-lo a desistir. Um dos bombeiros chegou mais perto e pulou, empurrando o motorista para o lago. Em seguida, os seguranças levaram-no rapidamente em direção a um carro daPresidência. Ele foi encaminhado para a sala de atendimento médico do Planalto e, em seguida, a um hospital do DF.

  O motorista disse que cometia "um ato de desespero" por ter sido excluído do programa de proteção de testemunhas da PF e que tentou por quatro vezes uma audiência com o presidente Lula. Com mulher, filho, nora e uma neta de 4 anos, Nascimento estava, desde fevereiro, vivendo numa casa alugada pela PF no Distrito Federal. O filho dele, C.P.N., 25 anos, contou que o motorista foi excluído do programa após ter acusado a PF de maus tratos na casa de custódia onde estavam abrigados.

  Segundo o rapaz, era servida comida estragada e água da piscina da casa. Após a denúncia, os policiais responsáveis pela casa acusaram o motorista de má conduta e deram prazo para ele e sua família deixarem o local. De acordo com o relato, o motorista foi agredido por agentes da PF. "Fomos torturados, ameaçados de ser despejados, jogados fora na rua", disse o filho. Após o despejo, o motorista tentou entrar no Programade Proteção à Testemunha do Ministério da Justiça, mas o pedido foi negado.

 
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