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Sebastião Nery
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Esqueceram deles |
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RIO - Em 1971, pleno horror do Governo Médici, um grupo de sete deputados federais do MDB saiu de Brasília para um debate na Universidade Federal de Curitiba, a convite de professores e estudantes.
Pegaram o avião Francisco Pinto, Alencar Furtado, Marcos Freire, Fernando Lyra, Paes de Andrade, Marcondes Gadelha. Por medo, intuição ou inspiração divina (ele era líder espírita em São Paulo), Freitas Nobres preferiu ir na véspera, por terra, de carro, uma viagem rocambolesca.
O avião já sobrevoava Curitiba, numa noite linda, clara, céu maravilhoso, viam tudo, quando o comandante avisou que não havia condições de aterrissagem e iria pousar em Porto alegre.
A ditadura imaginou que havia implodido o debate, seqüestrando os debatedores. Não sabia que Freitas Nobre, o valente e invencível Freitinhas, já estava em Curitiba e entrou no auditório sob uma tempestade de palmas.
Falsos heróis
Na lengalenga de falsos heróis que invadiu jornais, revistas e livros, no mês passado, sobre o golpe de 64, houve uma flagrante injustiça histórica.
Esqueceram o grupo cuja luta mais contribuiu e foi mais decisiva para o começo da derrocada da ditadura e sua derrota final: os "Autênticos do MDB".
Fazer oposição a Castelo Branco Costa e Silva, do AI-1 de 1964 ao AI-5 de 1968, era duro, arriscado, como é sempre perigoso lutar contra as ditaduras.
Mas os risco eram prisão e cassação. Tortura e assassinatos ainda começavam.
A partir do AI-5, em 13 de dezembro de 1968, é que o terror militar desabou sobre o País, sobretudo com a Junta Militar, o Governo Médici e o primeiro ano de Geisel. Até 75, com o começo da abertura de Geisel, o País viveu as trevas totais das liberdades mortas, das torturas, assassinatos, banimentos.
Os "autênticos"
As eleições de 1970, sob o chicote dos Atos Institucionais, um atrás do outro, mandaram à Câmara Federal um punhado de 40 deputados do MDB dispostos a resistir à ditadura. Eram a voz nacional da oposição. Rouca, mas voz.
Articulados por Chico Pinto, Alencar Furtado e Fernando Lyra, a primeira missão, recebida do bravo líder do MDB Pedro Horta, foi denunciar o assassinato de Rubens Paiva. Falaram Chico, Alencar e Marco Freire.
As campanhas da Constituinte, anistia, anticandidatura de Ulysses, senadores, de 74, nasceram deles. Eram 40, mas, ameaçados de cassação que não fossem ao Colégio Eleitoral de Geisel, só 23 desafiaram e não foram:
- Alencar Furtado, Álvaro Lins, Amaury Muller, Eloy Lenzi, Fernando Cunha, Fernando Lira, Francisco Pinto, Freitas Diniz, Freitas Nobre, Getúlio Dias, Jaison Barreto, Jerônimo Santana, Araújo Jorge, João Borges, Lysaneas Maciel, Marcondes Gadelha, Marcos Freire, Nadyr Rossetti, Paes de Andrade, Severo Eulálio, Santilli Sobrinho e Walter Silva.
AI-12
De toda parte surgem agora neoheróis nunca sabidos. Gente que foi para debaixo da cama, hoje quer sair nas fotos. Outros querem empulhar a história.
1-Você sabia que no Brasil já houve uma "lei excluindo de apreciação judicial" todos os atos do governo, quaisquer que fossem?
O ato Institucional nº 12, de31 de agosto de 69, determinava isso.
AI-13
2- E "banir do território nacional o brasileiro que se tornar inconveniente (sic) ou perigoso (sic) à segurança nacional?
O ato Institucional nº 13, de 5 de setembro de 1969, dizia isso.
3- O banido tinha imediatamente "suspenso o processo ou a execução da pena ou a prescrição da condenação". Quando voltava ao País, o processo estava na estaca zero e começava tudo de novo.
O ato Institucional nº 13, de 5 de setembro de 1969, dizia também isso.
AI-14
4- Havia "prisão perpétua e pena de morte, em casos de guerra externa, guerra revolucionária ou subversiva e guerra psicológica (sic) adversa".
O ato Institucional nº 14, de 5 de setembro de 1969, estabelecia isso.
Você podia ter prisão perpétua ou ser fuzilado se contasse piadas de militares.
Os "autênticos" do MBD comandaram a oposição desafiando tudo isso.
Militares e Civis
Essas barbaridades foram assinadas pelos "três patetas", os três trogloditas da Junta Militar: General Lira Tavares (Exército), Almirante Augusto Rademaker (Marinha) e brigadeiro Márcio Souza Melo (Aeronáutica).
Mas também as assinaram os ministros civis: Gama e Silva, delfim Neto, Magalhães Pinto, Mário Andreazza, Jarbas Passarinho, Ivo Arzua, Tarso Dutra, Leonel Mirando, Dias Leites, Hélio Beltrão, Costa Cavalcanti.
Para continuarem no poder, vomitariam sobre a Nação.
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